Um documento foi enviado ao Gabinete do Ministro Camilo Santana, com cópia para a chefia de gabinete. Dentre as razões elencadas, o fato de a atualização salarial ser em primeiro de janeiro, a tradição desde 2010 e o silêncio de prefeitos e governadores sobre a questão, embora portarias interministeriais definam índice de 14,95% para este 2023.
Reajuste do magistério deveria ser com base no piso do DIEESE
>> Defasagem salarial é enorme na maioria das redes de ensino e não será resolvida com esse atual cálculo tímido de reajuste anual do magistério, diz especialista
>> Categorias: Economia, Educação, Piso do Magistério
Faça uma assinatura solidária, acesse sem restrições todo o conteúdo do site e ajude a mantê-lo. Temos custos. Apenas R$ 19,90/ano!
Ou pague no pix (recomendável, vem integral):
Pix: apoie@deverdeclasse.org
Caso não queira assinar, deixe uma contribuição de qualquer valor. Apenas pix.
>> Por Redação / Em e-mail ao Dever de Classe, a pedagoga carioca Carmen M Costa sugere que o piso do magistério deveria ser reajustado com base no piso do DIEESE. "Defasagem salarial é enorme na maioria das redes de ensino e não será resolvida com esse atual cálculo tímido de reajuste anual do magistério. É preciso tomar o piso do DIEESE como referência", diz a educadora, especialista em Políticas Públicas. (Ver íntegra dos argumentos ao final da matéria, inclusive com sugestão de nova equação para os reajustes).
Entenda
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), faz estudo e divulga todo mês o valor real do salário mínimo a partir do custo da Cesta Básica de alimentos mais cara do país, em levantamento rigoroso feito nas 27 capitais.
Constituição
Com base na pesquisa de novembro último, por exemplo, o mínimo nacional — calculado de forma científica pelo DIEESE — deveria ter sido R$ 7.067,18. Para chegar a esse valor, além do custo dos alimentos, órgãos se baseiam no princípio constitucional "que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência."
Confira argumentos da pedagoga mais abaixo
Receba atualizações:
Os argumentos da educadora
Reajuste do magistério com base no salário mínimo do DIEESE
"Piso do magistério deveria ser com base no salário mínimo do DIEESE. Algumas explicações:
- O cálculo atual é tímido e tem falhas, pois pode acarretar reajuste ZERO, como ocorreu em 2021, ou abaixo da inflação, caso de 2024.
- CNTE tem uma proposta que melhora equação, mas ainda é muito tímida também e nem a longo prazo fará com que a categoria se equipare aos ganhos de outros profissionais de mesma formação, inclusive no setor público de estados, DF e municípios. Na comparação com o setor federal ou judiciário, a situação é ainda mais vexatória para professores e demais do magistério que têm direito ao piso nacional.
- Tomar o salário mínimo do DIEESE como norma seria o mais adequado, pois é calculado de forma rigorosa com base no custo de vida, tem amparo constitucional e não é muito acima do atual piso do magistério. Piso do magistério em 2025 = R$ 4.867,77; Piso DIEESE novembro = R$ 7.067,18; Diferença: apenas R$ 2.199,4.
- Proposta de equação: como o piso do DIEESE é calculado a cada mês, e o reajuste do magistério é anual, poderia se tirar a média do DIEESE do ano e aplicar como piso do magistério do ano seguinte + crescimento do custo aluno da nova fórmula proposta pela CNTE, por exemplo, nunca podendo o percentual de reajuste ficar abaixo da inflação oficial do ano anterior.
- De modo que: categoria saia mais rápido do arrocho em relação aos demais servidores de mesma formação, e não corra risco de reajuste zero ou abaixo da inflação.
- Portanto, salário mínimo do DIEESE (mais a nova equação da CNTE) na base dos planos de carreiras de estados, DF e municípios.
- É o meu entendimento.
Carmem Costa, 9/12/2025, com uma pequena contribuição financeira para ajudar nos custos do Dever de Classe. Antecipadamente, grata pela atenção.
O Dever de Classe agradece a educadora.
Faça uma assinatura solidária, acesse sem restrições todo o conteúdo do site e ajude a mantê-lo. Temos custos. Apenas R$ 19,90/ano!
Pague no pix (recomendável, vem integral):
Pix: apoie@deverdeclasse.org
Caso não queira assinar, deixe uma contribuição de qualquer valor. Apenas pix.
Leia também:
- Atualização da Lei 11.738/2008 melhora piso de docente com formação superior
- PNE e Piso do Magistério estão nas agendas da próxima semana da Câmara e STF
- Dieese divulga dia 10 análise da Cesta Básica de novembro e valor real do salário mínimo
- Governo vai pagar abono do Fundeb de até R$ 16,5 mil ao pessoal da Educação
- Fundeb de novembro em alta é sinal positivo para reajuste dos professores em 2026
- As "preocupações" de Camilo Santana com o reajuste 2026 dos professores
Receba atualizações:
Mais recentes do tópico Piso do Magistério:
Grupo de docentes está em Brasília e se articula para entregar documento ao ministro da Educação Camilo Santana. Dentre as reivindicações, anúncio oficial imediato do reajuste de 14,95%, mais verbas para a pasta e pressão sobre prefeitos e governadores para que cumpram a lei e evitem paralisações em todo o País. Albetiza Moreira —...
Pagamento é para cair direto na conta de cada docente das redes públicas da educação básica de estados, DF e municípios. Iniciativa é do senador Randolfe Rodrigues e está em tramitação no Senado.
O VAAF-MIN de R$ 5.208,46 teria implicações somente para 2024. Entenda melhor a questão ao final desta matéria.
Expectativa é que Camilo Santana anuncie muito brevemente, vez que o percentual de 14,95% é para viger em 1° de janeiro. Embora não seja obrigatório do ponto de vista legal, prefeitos e governadores exigem que o MEC faça tal anúncio.
Portaria Interministerial que define reajuste foi publicada no Diário Oficial da União. Medida é obrigatória para estados, DF e municípios e deve ser aplicada logo a partir de 1º de janeiro. Com nova correção, valor mínimo para jornada de até 40 horas semanais passa de R$ 3.845,63 para R$ 4.419,96.
Interpretação do Supremo fere a política de correção anual do piso, ao confundir salário-base com remuneração.
Penalidade está prevista a partir do que reza o artigo 85 da Constituição Federal de 1988.
Especialista diz que prefeitos e governadores farão toda a pressão que for possível este ano para aprovar o PL 3.776/08, que vincula a correção do piso à variação do INPC/IBGE. Com isso, correções anuais são reduzidas e ganho real deixará de existir. A luta pelos 33,23% deve se intensificar.









