Reforma Administrativa é demolição contra o funcionalismo público

26/09/2025

PEC 32/2020 foi proposta logo no segundo ano de mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro; propõe acabar estabilidade e outros direitos do funcionalismo da União, estados, DF e municípios

PROCURAR

Ex-presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia Paulo Guedes. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Economia / No último dia 23, a CNTE e várias outras entidades representativas do funcionalismo público de todo o país se manifestaram em Brasília contra a Pec 32/2020, a Reforma Administrativa. Proposta logo no segundo ano de mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro, medida, se aprovada, vai demolir direitos essenciais dos servidores dos três poderes da União, estados, DF e municípios. Entre os ataques, o fim da estabilidade e institucionalização do congelamento de salários. Atuais e futuros funcionários serão todos prejudicados.

Siga e receba atualizações

Principais ataques

Embora apresentada sob a justificativa de modernizar e reduzir gastos, a Reforma Administrativa é considerada pelas entidades como um ataque ao serviço público. Entre os pontos mais criticados estão:

  • Fim da estabilidade para servidores públicos;
  • Criação de vínculos por prazo determinado e um regime de trabalho mais flexível;
  • Extinção de carreiras típicas de Estado;
  • Enfraquecimento dos concursos públicos e incentivo ao apadrinhamento político;
  • Limitação do direito de greve e imposição de avaliações de desempenho punitivas.

Além destas, foco da reforma é também:

  • Institucionalização do congelamentos dos salários e carreiras;
  • Privatização de setores-chaves, como Saúde e Educação;
  • Na prática, fim do caráter de servidor público no Brasil, com exceção apenas para as castas mais bem pagas do funcionalismo.

Tramitação

O texto tem como relator o deputado Darci de Matos (PSD-SC) e atualmente tramita na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovado nessa etapa, seguirá para votação em dois turnos no Plenário da Câmara, onde precisará de pelo menos 308 votos (3/5 dos deputados).
Se for aprovado na Câmara, seguirá o mesmo processo no Senado Federal, com tramitação em Comissão Especial, e depois para votação em dois turnos no Plenário, onde precisará de pelo menos 49 votos (3/5 dos senadores) em cada turno.

Se aprovada sem alterações, a proposta será promulgada e transformada em emenda à Constituição.

Mobilização

As entidades reforçam que a mobilização massiva dos servidores é fundamental para barrar esse projeto. A convocação é para que os trabalhadores estejam presentes nas atividades semanais, pressionem suas bases parlamentares e ocupem os espaços de debate público.

"Não aceitaremos calados a destruição de um patrimônio do povo brasileiro. O serviço público é essencial para a garantia de direitos. A nossa luta é de todos!", destacam as entidades unificadas nos atos contra a reforma administrativa.

Com informações de matéria da CNTE

Relacionadas:

Compartilhe e não esqueça de deixar uma contribuição ao site!

Pix: apoie@deverdeclasse.org / Mais opções 

Mais recentes

Especialistas em Direito Educacional desmontam discurso de gestores sobre uma suposta 'inconstitucionalidade' de portaria do MEC e da lei do piso. Governo Federal se omite de fazer a discussão. Categoria deve pressionar prefeitos e governadores a cumprir. Justiça também deverá ser acionada.
Mesmo denunciado no Ministério Público pela CNTE, Paulo Ziulkoski continua a repetir sua ladainha criminosa de que a lei do piso do magistério não existe mais. Em nova reunião com prefeitos, presidente da CNM tenta induzir gestores a dar calote no índice de 33,23% a que o magistério legitimamente tem direito.
Menor salário para docente graduado com 40 horas semanais em início de carreira no Estado do Ceará passa a ser R$ 5.144,18. Em maio, tem mais um acréscimo. Especialista, mestre e doutor também tiveram bom incremento em seus ganhos. Há expectativa de que mais estados cumpram o reajuste. Mas é preciso que haja mobilização, tal como a Apeoc fez para...
Reajuste acima dos 33,23% é a prova de que é possível cumprir o direito do magistério em todos os estados e municípios, até porque a fonte pagadora é a mesma e cresceu neste 2022.

Política | A maior tarefa que Lula (PT) terá — se eleito — diz respeito a enfrentar medidas neoliberais que infernizam a vida dos trabalhadores e da maioria da população. Entenda-se por isso: revogar reformas trabalhista, previdenciária e mudar radicalmente a política de preços da Petrobras, além de retirar do Congresso a PEC 32 — Reforma...

Share