Com reforma, não haverá servidor público
O funcionalismo futuro, caso medida passe, terá caráter de trabalhador privado, embora sob controle da União, estados, DF e municípios, com raras exceções
- Colabore! Pix: apoie@deverdeclasse.org / Mais opções
Política e Economia / A PEC 32/2020, a curto e médio prazos, tem como objetivo-alvo pegar os atuais servidores, bem ao contrário do que afirmam seus defensores na grande mídia, Congresso e governos, todos a serviço do mercado financeiro e grandes capitalistas. Segundo matéria desta segunda-feira (29) do site InfoMoney, relator da medida quer aprová-la na Câmara ainda neste segundo semestre de 2025.
Embora digam que a estabilidade no emprego, diferencial entre o público e o privado, só atingirá os futuros funcionários (que já entrarão sem essa garantia), proposta traz em seus artigos vários mecanismos para demitir quem já é concursado e efetivo. Está no texto em vias de aprovação.
Um deles é a possibilidade de demissão a partir de decisão colegiada em segunda instância, algo que fere inclusive a Constituição Federal. Atualmente, isto não é permitido. Servidor só pode ser demitido após o trânsito em julgado, com direito a ampla defesa, que é de fato quando um processo encerra.
Outro mecanismo da PEC 32/2020 para demitir quem já está no serviço público é o instituto da "Avaliação de Desempenho" com caráter punitivo e subjetivo, algo que certamente vai instalar um clima de assédio e terror no âmbito das repartições públicas. O que poderá sair de um processo desse tipo, marcado por critérios políticos e ideológicos? Perseguição, com certeza. E demissões injustas.
Continua
Siga e receba atualizações
Não é apenas na questão da estabilidade que a PEC 32/2020 atinge de forma negativa os atuais servidores. Entre outros malefícios, proposta veda uma série de direitos atuais constantes em planos de carreira. Adicionais e progressões baseados em tempo de serviço, licença-prêmio, férias em período superior a trinta dias pelo período aquisitivo de um ano etc, etc, etc. Tudo acaba.
Nesse último item (férias), o prejuízo financeiro é imediato aos professores, cujo período de descanso pode atualmente ser superior a um mês, com 1/3 do abono equivalente ao tempo de afastamento. Não é pouca coisa.
Continua
Na prática, a PEC 32/2020 objetiva institucionalizar um poderoso arrocho salarial para os servidores dos três poderes da União, estados, DF e municípios. Exceção apenas ao alto escalão do setor, os que ganham altíssimos salários. Evidentemente, entre eles não há docentes, médicos, enfermeiros, bombeiros... Pessoal que atua no contato direto com a população.
E tudo com a lógica de privatizar o serviço público, para entregá-lo para a exploração mercantilista de banqueiros e grandes empresários. E a coisa começa exatamente pelos atuais funcionários. Com reforma, não haverá servidor público no futuro.
Relacionadas:
- Reforma Administrativa é demolição contra o funcionalismo público
- Relator quer aprovação da PEC 32/2020 ainda em 2025
- Artigo 37-A da Pec 32 permite que dinheiro do Fundeb seja repassado a escolas privadas, diz especialista
- Reforma Administrativa —Pec 32 — acaba com o caráter de servidor público no Brasil
- Dieese desmente matéria da Folha sobre prejuízos dos atuais servidores com a Reforma Administrativa
Mais recentes Economia
É preciso dizer de forma direta e sem rodeios que Bolsonaro & Cia querem aniquilar o futuro da maioria da população. Essa reforma não pode ser aprovada
Governo anuncia serviço digital, em vez de funcionários e concursos públicos! Leia e compartilhe...
"Isto será um erro e um 'tapa na cara' de muitos concurseiros que ajudaram a eleger o novo governo", pondera especialista
Por receio de mobilizações, Paulo Guedes cortou o trecho da reforma dedicado ao funcionalismo público
Para os donos da Folha, opinião pública já estaria mais simpática ao fim da aposentadoria dos trabalhadores. Será?
Idade mínima de professores é 5 anos maior que a prevista para policiais! Leia e compartilhe...
Impor idade mínima mais alta para professor se aposentar é uma injustiça e não gera economia, diz especialista
Se as grandes empresas pagarem os R$ 450 bilhões que devem à Previdência, não é necessário aumentar idade mínima para aposentadoria ou estabelecer mínimo de 40 anos de contribuição para quem quiser benefício integral
Equipe econômica quer que apenas o presidente Bolsonaro saiba dos pontos mais duros da reforma
Economia | A carteira verde e amarela que o governo Bolsonaro quer empurrar goela abaixo — principalmente de quem for ingressar no mercado de trabalho no Brasil daqui para frente — é coisa de antes de 1888. Nessa época, escravos produziam arduamente sem acesso a qualquer direito, a não ser a um prato de comida.













