Atualização ocorreu na manhã desta quinta-feira, após o Dever de Classe mostrar contradição entre fala da jornalista Ana Flor e declaração do presidente Bolsonaro acerca da atualização salarial dos professores. Matéria traz ainda um fato novo quanto à data prevista para o reajuste.
O jogo de "me engana que eu gosto" entre Tarcísio e Bolsonaro
O fim dessa historinha entre dois mentirosos pode resultar em uma vitória muito mais fácil para Lula em 2026

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Política / É famosa a fábula do "Sapo e o Escorpião", onde o primeiro é picado e morto após ceder a um apelo bem feito pelo segundo. No enredo político brasileiro atual, é mais ou menos parecido com o que ocorre entre Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
O governador de São e todo o Brasil sabem que para 2026, além de Lula, só um outro candidato consegue atrair muitos votos: Jair Bolsonaro. O capitão, candidato ou não (tudo indica que não), tem o comando da amplíssima maioria dos eleitores que se opõem ao atual presidente do país, sejam os mais moderados ou os mais extremistas.
Caso Bolsonaro de fato não possa disputar, é Tarcísio quem, na oposição, se habilita como o "mais competitivo" para o pleito. O dilema é que essa "competitividade" toda é praticamente nula se não tiver a bênção do capitão. Bolsonaro dará? Tudo leva a crer que não.
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Bolsonaro, bem ao contrário do sapo que acreditou no escorpião, sabe que Tarcísio eleito seria um animal peçonhento fora de sua gaiola, até porque vê claramente o conluio do governador com a Globo & Cia para tentar bani-lo da vida pública nacional. Por que iria apoiar veneno contra si mesmo?
Deste modo, por mais que Tarcísio prometa indulto ao capitão em troca de apoio ao Planalto, Bolsonaro sabe que isso não teria como se cumprir, pois ao governador eleito presidente não interessaria reabilitar alguém que poderia ser mais um a querer destruir seu próprio governo. Ou não?
Assim, se não pensar bem, quem pode passar de potencial escorpião a sapo é o próprio Tarcísio, caso ceda ao apelo de Jair Bolsonaro para que consiga anistia irrestrita ao capitão. Livre, Bolsonaro naturalmente seria o candidato contra Lula no próximo ano.
Contudo, como nessa historinha de "me engana que eu gosto" parece que só tem escorpião, Bolsonaro e Tarcísio vão acabar se envenenando mutuamente. E isso deve resultar em uma vitória muito mais fácil para Lula em 2026. Talvez até no primeiro turno.
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Presidente Jair Bolsonaro, após forte pressão, teve que ceder aos educadores. Índice de 33,23% é obrigatório para estados, DF e municípios.
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Através de Medida Provisória ou não, não há como o presidente Jair Bolsonaro se esquivar mais desta questão. A expectativa do magistério é grande, índice de 33,23% já está muito divulgado, é ano eleitoral e, no final das contas, governo federal só entra mesmo com 15% do Fundeb. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come..."
APEOESP diz que João Doria e secretário de Educação Rossieli Soares fazem propaganda enganosa. Sindicato exige carreira justa e transparente.
Professora Dorinha (DEM-TO) é presidente da Comissão de Educação (CE) da Câmara e articuladora de importante reunião que resultou em posicionamento técnico e político a favor da atualização imediata de 33,23% para os educadores de estados, DF e municípios do País.
Em depoimento enviado ao Dever de Classe, professora fã do capitão diz que: "Ainda acredito, mas qualquer hora largo o presidente, pois ele não pode trair o magistério e tem de anunciar oficialmente o reajuste de 33,23%. Ou, pelo menos, se justificar porque até agora não fez. Meu prazo pra ele tá acabando".
Elida Graziane Pinto, do Ministério Público junto ao TCE-SP, diz que se não houve revogação expressa da lei 11.738/2008, como quer fazer crer o MEC, não pode ser presumida uma revogação tácita. E afirma também que "é muito cinismo fiscal [do presidente Jair Bolsonaro] desconstruir o piso dos professores e dar reajuste para forças de segurança".












