Impacto direto na vida dos professores
Essa questão ora travada no STF é tratada por entidades da educação como um divisor de águas para a valorização da categoria. O cerne da questão é determinar se o valor do piso nacional — fixado pela Lei nº 11.738/2008 — serve unicamente como salário mínimo de entrada ou se obriga estados e municípios a corrigirem, com efeito geral, as tabelas salariais. Sem o reflexo obrigatório nos níveis e classes superiores, a categoria enfrenta o "achatamento" da carreira, situação na qual professores com décadas de serviço, pós-graduação ou mestrado e até doutorado passam a receber remuneração equivalente à de docentes recém-ingressos.
Como votaram os ministros até agora
Antes da interrupção no Plenário Virtual, três ministros haviam registrado seus votos:
- Cristiano Zanin (Relator).Reiterou que o piso é o vencimento inicial das carreiras, com reflexos de acordo com as estruturas dos planos de cargos e salários dos professores. Mas ele concedeu novo prazo de dois anos para estados e municípios fazerem essa adequação, eliminando a possibilidade de cobranças de verbas retroativas.
- Dias Toffoli. Divergiu do relator e reconheceu imediatamente os reflexos do piso nas carreiras, bem como a aplicação irrestrita das portarias do MEC em todos os anos de vigência da lei. Esse voto possibilita aos professores cobrar verbas retroativas dos entes federados que deixaram de cumprir o piso nas carreiras de magistério.
- Alexandre de Moraes. Acompanhou integralmente a divergência aberta por Toffoli, ou seja, deu voto favorável aos professores.
Pedido de vista e previsão de retorno da votação
A tramitação foi interrompida após o ministro Gilmar Mendes solicitar vista do processo. De acordo com o Regimento Interno da Corte, o magistrado possui o prazo de até 90 dias para devolver os autos, contagem que pausa durante os períodos de recesso judiciário. Como o pedido de vista foi feito em maio, e julho não conta, por causa do recesso, isso significa que neste mês de setembro o Tema 1218 deve voltar à discussão no STF. Ainda faltam votar os ministros Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Flávio Dino, Edson Fachin e Cármen Lúcia.
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