Para educadora, o atual piso do magistério é absurdamente baixo para a complexidade e exigências que se faz todo dia a quem tem de cuidar de crianças, adolescentes e adultos, por isso deveria ser pelo menos R$ 7.687,01
Piso Nacional do Magistério deveria se pautar no mínimo salarial do Dieese
Para educadora, o atual piso do magistério é absurdamente baixo para a complexidade e exigências que se faz todo dia a quem tem de cuidar de crianças, adolescentes e adultos, por isso deveria ser pelo menos R$ 7.687,01

Por *Estela A Nogueira, às 17:19
Piso do Magistério / Entrar na sala de aula todos os dias é encarar uma verdadeira maratona. Por isso defendo que o atual piso do magistério (R$ 5.130,63) estivesse pelo menos no patamar do mínimo calculado cientificamente pelo Dieese para este mês de agosto, em torno de R$ 7.687,01. Seria um pequeno avanço.
Quem está no chão da escola pública sabe exatamente o peso de equilibrar a mediação de conflitos, a pedagogia e a imensa responsabilidade de formar seres humanos. Por isso, quando olho para o valor do nosso piso salarial nacional para uma jornada de 40 horas semanais, não posso me calar: é uma remuneração absurdamente baixa para a complexidade e as exigências que governos e gestores de escolas nos fazem no cotidiano da nossa profissão.
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Cumprir essa carga horária extenuante, com o perdão da palavra, é de lascar, pois significa, na prática, passar dois turnos inteiros cuidando de crianças, adolescentes e adultos. É uma rotina que exige atenção ininterrupta, escuta ativa e uma entrega emocional sem pausas. Ao final de cada semana, o que nos resta é um desgaste físico e mental avassalador. Levamos o cansaço acumulado para casa, acompanhado por pilhas de tarefas não remuneradas, enquanto tentamos equilibrar as contas com um salário que não reflete a nossa entrega.
A injustiça se torna ainda mais gritante quando olhamos para a estrutura do próprio serviço público. Na comparação com outras carreiras do Estado que exigem a mesma formação acadêmica, o piso do magistério sempre esteve historicamente muito atrás. Estudamos e nos qualificamos tanto quanto qualquer outro profissional público, mas continuamos amargando o patamar mais baixo do reconhecimento financeiro.
Apesar de toda essa desvalorização, recuso-me a aceitar que o nosso destino seja a resignação. Aos meus colegas professores e professoras, faço um apelo sincero: não desistam da nossa profissão. Sei o quanto o esgotamento tenta nos fazer recuar, mas a nossa missão é grande demais para que nos curvemos. Precisamos continuar firmes e lutar de cabeça erguida por condições dignas de trabalho e por um salário justo, pelo menos no grau do piso do Dieese a que me referi e defendo.
Qualquer mudança para melhor, contudo, não virá de forma passiva; o único caminho viável para transformar nossa realidade é a mobilização coletiva. É fundamental fortalecermos a nossa presença e apoiar as ações do sindicato da nossa categoria, participando ativamente das assembleias e paralisações. Somente unidos e organizados teremos a força necessária para exigir o respeito e a valorização que merecemos receber.
*Estela A Nogueira é seguidora do Dever de Classe
Envie também seu artigo para: pontodevista@deverdeclasse.org
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