O escárnio atinge o ápice quando a proposta debruça-se sobre a categoria dos professores, prometendo a generosa caridade de permitir que se aposentem aos 64 anos, como lá fora. Escondem com esmero, contudo, que um docente em início de carreira na Suécia recebe, no mínimo, o triplo do nosso mofado Piso Nacional do Magistério, apenas R$ 5.130,63 em 2026. Lá, o profissional entra em sala sabendo que seu salário inicial (média de 41.500 coros suecas — R$ 22.223,33) paga as contas, garante a dignidade de sua família e reconhece a importância crucial de sua função, enquanto no Brasil o professor precisa dar aulas em três turnos e vender rifa no intervalo para não ver a luz cortada no fim do mês.
Mais risível ainda é a comparação das condições de trabalho no ambiente escolar. Na Suécia, o magistério é exercido em salas climatizadas, equipadas e com turmas reduzidas, que não passam de 25 alunos, permitindo um acompanhamento pedagógico humano e eficiente. Por aqui, empurram-se 40 ou mais estudantes em salas abafadas, sem ventilação e muitas vezes sem segurança elementar, exigindo que o docente seja, simultaneamente, educador, assistente social, mediador de conflitos e malabarista. Exigir que um professor resista a esse moedor de carne até os 64 anos é um atestado manifesto de perversidade.
O padrão dessa elite iluminada é sempre o mesmo: a "suecilização" dos deveres é imediata, mas a "suecilização" dos direitos é vetada por causa da famosa Lei de 'Responsabilidade Fiscal'. Rolim, Paulo Tafner e Armínio Fraga, outros dois economistas do mercado financeiro que estão por trás da proposta — não querem ouvir fala de taxar as grandes fortunas, combater a sonegação bilionária dos banqueiros ou tributar lucros e dividendos como se faz no modelo nórdico. Quando o assunto é sacrificar o topo da pirâmide, a Suécia vira um pesadelo socialista inaplicável; mas quando o objetivo é extorquir o pedreiro, a doméstica e o professor de escola pública, o modelo escandinavo ganha ares de urgência e sabedoria inquestionável.
Sejamos diretos e sem os eufemismos que a polidez acadêmica exige: essa proposta de reforma não passa de uma maquinação concebida por bandidos de colarinho branco. Trata-se de um assalto institucional arquitetado por engravatados insensíveis que buscam esfolar a carne do trabalhador até o último suspiro, tudo para engordar as margens de lucro de um sistema financeiro parasitário e faminto por fundos de previdência privada. Querem que o povo morra no posto de trabalho para garantir o dividendo do acionista, vestindo uma tirania vil com os trajes elegantes de uma falsa modernidade.