Em vez de: "Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu", vamos de: "Desesperar jamais/Aprendemos muito nesses anos/Afinal de contas não tem cabimento/Entregar o jogo no primeiro tempo
"Quando olho para Flávio Bolsonaro, vejo nele seu pai Jair debochando de minha mãe entubada e morta por falta de vacinas contra Covid"
"Minha mãe partiu sufocada, esmagada pela falta de ar e ausência de vacinas — que foram tratadas com deboche por você, candidato Flávio Bolsonaro, através de seu pai, o insensível e cruel Jair"

*Gardênia Santos, às 14:35
O eco do tubo e o peso do rancor
Há olhares que pesam como toneladas de chumbo, mas nenhum se compara ao que sinto quando, por mero acaso, olho para você, candidato Flávio Bolsonaro. Quando o meu olhar esbarra em você nas redes sociais, portais e TVs, não vejo apenas alguém vivendo a sua rotina de delinquente e contumaz mentiroso. O que vejo é o reflexo exato da negligência, da escolha gelada e da desumanidade de seu pai Jair Messias Bolsonaro, um ser abjeto e cruel que ajudou a roubar de mim a pessoa mais importante da minha vida, minha própria mãe, durante a Covid-19.
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Naquele tempo sombrio de pandemia, enquanto o Brasil e o mundo imploravam por uma única gota de esperança dentro de uma seringa, a minha mãe lutava pelo próprio ar. Eu trago gravada na alma a cena mais dilacerante da minha existência: o monitor hospitalar apitando em um ritmo acelerado, o tubo frio descendo pela garganta dela, roubando-lhe a voz, o último sorriso e o direito de se despedir.
Ela partiu sufocada, esmagada pela falta de ar e ausência de vacinas que foram tratadas como mercadoria por você, candidato Flávio Bolsonaro, através de seu pai, o insensível, cruel e debochado Jair, que ficava imitando de forma canalha na mídia as pessoas com falta de ar. Vocês preferiram o negacionismo à ciência, não importasse quem do povo brasileiro morresse, à exceção de vocês mesmos, é claro.
E aí está você, candidato Flávio Bolsonaro, caminhando livremente, com essa expressão intocada, rindo de piadas banais, como se o passado recente da pandemia fosse um filme apagado que não lhe dissesse respeito, nem a você nem a seu pai Jair. Que nojo. Que ódio.
Toda vez que te vejo, candidato Flávio Bolsonaro, meu estômago revira. Um ódio viscoso, quente e sufocante sobe pela minha garganta. É um sentimento que me assusta, porque eu nunca me imaginei capaz de nutrir um rancor tão profundo. Mas como não odiar? Você, seu pai Jair e tantos outros iguais a vocês, que representam a engrenagem que deixou minha mãe sem a chance de lutar de igual para igual contra um vírus.
"Eu olho para o seu rosto e tudo o que consigo ver é a cicatriz aberta de uma ausência que poderia ter sido evitada."
No entanto, à medida que esse ódio queima por dentro, percebo o quanto ele me aprisiona ao pior capítulo da minha história. Olhar para você, candidato Flávio Bolsonaro, é dar sobrevida à dor, é permitir que reveja seu pai criminoso Jair em você, é aceitar que a tragédia continue ditando os meus dias. Não quero mais isso para minha vida.
Daqui para frente, eu quero apagar você dos meus olhares e lembranças, candidato Flávio Bolsonaro. E, com isso, apagar também o seu criminoso pai Jair Bolsonaro. Quero que vocês se dissolvam como fumaça, para que o espaço que você e seu pai ocupam na minha mente seja devolvido àquilo que realmente importa: a memória terna, o cheiro do abraço e o amor imorredouro da minha mãe.
Você, candidato Flávio Bolsonaro, e seu pai Jair, não vão mais roubar a minha paz nem contaminar o meu luto. A suas insignificâncias não merecem mais nem um segundo do meu ódio. Eu olho para vocês hoje para, finalmente, tentar nunca mais lembrar que existem.
Lula presidente, no primeiro turno!
*Gardênia Santos é professora e segue o Dever de Classe. O nome e imagem dela são fictícios, pois prefere ocultar identidade por receio de retaliações de bolsonaristas.
Envie também seu artigo para: pontodevista@deverdeclasse.org
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