"Empate técnico" entre Lula e Flávio Bolsonaro dá para surpreender até o próprio Datafolha
O mais curioso é ver parte da esquerda abraçando esse suposto "empate técnico" nos dois turnos com um desespero quase adolescente; assisti hoje ICL Notícias, Brasil 247 e DCM e por pouco não vomitei diante das "análises" derrotistas que ouvi

*Jaira M Freitas, às 22:34
A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11) — que coloca Lula e Flávio Bolsonaro em “empate técnico” nos dois turnos — parece coisa de maluco e dá para surpreender até esse instituto que fez a consulta. Não há nada que explique o petista estar no mesmo patamar de votos do filho do genocida. Não por achar que Lula é infalível e Flávio sem apelo popular, mas porque é preciso um malabarismo estatístico gigantesco e um esforço mental incomum para acreditar nisso assim sem fazer pelo menos algumas ponderações.
Por que metade ou quase metade dos eleitores consultados estão dispostos a votar em Flávio Bolsonaro e rejeitar Lula? O que ambos fizeram para isso ocorrer?
(Primeiro turno: Lula — 39% e Flávio Bolsonaro — 35%. Segundo turno: Lula: 46% e Flávio — 44%. Pela margem de erro, haveria empate técnico nas duas rodadas de votação).
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Ora, Lula tem décadas de vida pública, liderança política, três mandatos presidenciais bem sucedidos, articulação internacional, história com o povo e um legado que pode ser criticado, mas existe. E o Brasil, sinceramente, não vive nenhum caos social ou econômico, muito pelo contrário, segundo reconhecimento inclusive de setores da direita anti-lulista. Inflação sob controle, desemprego há tempos em queda e programas sociais a pleno vapor. Por que quase metade dos eleitores eleitores brasileiros iam querer mandar Lula embora da presidência? Estranho, não?
Flávio Bolsonaro, por outro lado, é mais conhecido por escândalos, rachadinhas e pela sombra do pai do que por qualquer projeto consistente de país. Em termos de currículo político e moral, a balança simplesmente não fecha.
É claro que pesquisas são recortes de momento, têm margem de erro, metodologia, amostra, tudo aquilo que os institutos adoram explicar em nota técnica para o povo não entender. Mas quando o resultado coloca lado a lado figuras tão desiguais, o mínimo é olhar com desconfiança. Não se trata de negar dados por conveniência, e sim de lembrar que número sem contexto vira narrativa pronta para manchete e para alimentar o jogo político de quem vive de fabricar "fato consumado". O Datafolha é da Folha de S.Paulo. Ambos são do PagBank, instituição financeira que sempre quer ver Lula pelas costas.
O mais curioso nessa história toda é ver parte da esquerda abraçando esse suposto "empate técnico" com um desespero quase adolescente. Tem gente compartilhando gráfico como se fosse aviso do apocalipse, aceitando o resultado de forma totalmente acrítica, como se a única reação possível fosse o pânico. Em vez de questionar metodologia, cenário testado e interesses por trás da divulgação, prefere-se entrar na onda do medo e da autoflagelação coletiva. Assisti hoje ICL Notícias, Brasil 247 e DCM e por pouco não vomitei diante das "análises" derrotistas que ouvi.
Essa postura só fortalece o campo adversário e enfraquece a campanha já na reta final de primeiro turno. Em vez de transformar a pesquisa em sentença, seria mais honesto encará-la como alerta, não como verdade absoluta. E, principalmente, lembrar que colocar Lula e Flávio Bolsonaro no mesmo nível é menos um retrato fiel da realidade e mais um sintoma de como o debate público anda raso, manipulado e disposto a normalizar o que não deveria nem passar perto de ser normal.
*Jaira Freitas é psicóloga e segue o Dever de Classe
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