A esperança já venceu o medo; agora o 'medo' vencerá a mentira

10/09/2026

Nessa nova etapa, o 'medo' que vencerá a mentira não é o medo paralisante, mas o medo lúcido de ver direitos destruídos em nome de falsos discursos de moralidade e eficiência 

> Política & Economia 

*Jaira M Freitas, às 05:47

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Em 2002, a narrativa dominante nas eleições presidenciais era a do medo. Anunciava-se o caos econômico, o desemprego em massa e o isolamento internacional caso Lula (PT) chegasse à Presidência da República. A classe média ignorante e abastada brasileira escalou inclusive uma atriz — Regina Duarte — para propagar terror nos meios de comunicação. A cada discurso alarmista, repetia-se que o Brasil caminharia rumo ao abismo. Ainda assim, milhões de brasileiros decidiram apostar na mudança. A esperança venceu o medo quando a população, cansada de promessas vazias, escolheu acreditar que outro projeto de país era possível.


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Essa vitória da esperança não foi um salto no escuro, mas um gesto de coragem coletiva. Trabalhadores, estudantes, donas de casa e pequenos empreendedores enxergaram em Lula a chance de inclusão social, valorização do salário mínimo e ampliação de direitos. O medo propagado pelos setores mais privilegiados não foi suficiente para apagar a memória de um povo que conhecia de perto a fome, o desemprego e a desigualdade. A esperança, nesse momento, significou romper com a chantagem do pânico econômico.

Anos depois, em 2026, o cenário se inverte. Agora, não é mais o medo do desconhecido, mas o medo de perder o que foi conquistado. Programas sociais, acesso à universidade, crédito facilitado e melhoria do consumo criaram uma nova realidade para milhões de brasileiros. Diante de ameaças de retrocessos com Flávio Bolsonaro et caterva, que significam cortes sociais e retirada de direitos, o eleitorado passa a temer o retorno a um passado de exclusão. O medo deixa de ser arma da elite e passa a ser sentimento legítimo de quem tem algo concreto a defender.

Nessa nova etapa, o medo que vencerá a mentira não é o medo paralisante, mas o medo lúcido de ver direitos destruídos em nome de falsos discursos de moralidade e eficiência. A mentira tenta reescrever a história, negar avanços e criminalizar políticas que tiraram pessoas da miséria. O povo, ao votar novamente em Lula, não age por ingenuidade, mas por instinto de preservação. Se antes a esperança venceu o medo do futuro, agora o medo de perder conquistas pode ser a força que derrotará a mentira que tenta sequestrar o passado.

*Jaira Freitas é psicóloga e segue o Dever de Classe

Envie também seu artigo para: pontodevista@deverdeclasse.org

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