Para tentar enganar a opinião pública e até os docentes, governadores e prefeitos costumam juntar eventuais vantagens dos professores para dizer que já pagam o piso nacional do ano. Não pode. Especialista explica a questão.
Reajuste do magistério deveria ser com base no piso do DIEESE
>> Defasagem salarial é enorme na maioria das redes de ensino e não será resolvida com esse atual cálculo tímido de reajuste anual do magistério, diz especialista
>> Categorias: Economia, Educação, Piso do Magistério
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>> Por Redação / Em e-mail ao Dever de Classe, a pedagoga carioca Carmen M Costa sugere que o piso do magistério deveria ser reajustado com base no piso do DIEESE. "Defasagem salarial é enorme na maioria das redes de ensino e não será resolvida com esse atual cálculo tímido de reajuste anual do magistério. É preciso tomar o piso do DIEESE como referência", diz a educadora, especialista em Políticas Públicas. (Ver íntegra dos argumentos ao final da matéria, inclusive com sugestão de nova equação para os reajustes).
Entenda
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), faz estudo e divulga todo mês o valor real do salário mínimo a partir do custo da Cesta Básica de alimentos mais cara do país, em levantamento rigoroso feito nas 27 capitais.
Constituição
Com base na pesquisa de novembro último, por exemplo, o mínimo nacional — calculado de forma científica pelo DIEESE — deveria ter sido R$ 7.067,18. Para chegar a esse valor, além do custo dos alimentos, órgãos se baseiam no princípio constitucional "que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência."
Confira argumentos da pedagoga mais abaixo
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Os argumentos da educadora
Reajuste do magistério com base no salário mínimo do DIEESE
"Piso do magistério deveria ser com base no salário mínimo do DIEESE. Algumas explicações:
- O cálculo atual é tímido e tem falhas, pois pode acarretar reajuste ZERO, como ocorreu em 2021, ou abaixo da inflação, caso de 2024.
- CNTE tem uma proposta que melhora equação, mas ainda é muito tímida também e nem a longo prazo fará com que a categoria se equipare aos ganhos de outros profissionais de mesma formação, inclusive no setor público de estados, DF e municípios. Na comparação com o setor federal ou judiciário, a situação é ainda mais vexatória para professores e demais do magistério que têm direito ao piso nacional.
- Tomar o salário mínimo do DIEESE como norma seria o mais adequado, pois é calculado de forma rigorosa com base no custo de vida, tem amparo constitucional e não é muito acima do atual piso do magistério. Piso do magistério em 2025 = R$ 4.867,77; Piso DIEESE novembro = R$ 7.067,18; Diferença: apenas R$ 2.199,4.
- Proposta de equação: como o piso do DIEESE é calculado a cada mês, e o reajuste do magistério é anual, poderia se tirar a média do DIEESE do ano e aplicar como piso do magistério do ano seguinte + crescimento do custo aluno da nova fórmula proposta pela CNTE, por exemplo, nunca podendo o percentual de reajuste ficar abaixo da inflação oficial do ano anterior.
- De modo que: categoria saia mais rápido do arrocho em relação aos demais servidores de mesma formação, e não corra risco de reajuste zero ou abaixo da inflação.
- Portanto, salário mínimo do DIEESE (mais a nova equação da CNTE) na base dos planos de carreiras de estados, DF e municípios.
- É o meu entendimento.
Carmem Costa, 9/12/2025, com uma pequena contribuição financeira para ajudar nos custos do Dever de Classe. Antecipadamente, grata pela atenção.
O Dever de Classe agradece a educadora.
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Diferenças dos 14,95% não pagas na data certa devem ser corrigidas, porque atualização do piso dos professores é em primeiro de janeiro. Especialista explica a questão.
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Movimento pode se estender por várias outras partes do País. No caso de Fortaleza, decisão foi tomada em Assembleia Geral com mais de 5 mil pessoas, entre docentes e funcionários de escolas.
O professor de Direito e Políticas Públicas da UFABC — Salomão Ximenes — diz que a lei do piso não foi revogada e que, inclusive, não há mudança de posicionamento no âmbito do Ministério da Educação.
Em muitas localidades, inclusive, o percentual é arredondado para 15% e até 16%.
Na aplicação linear de 14,95% para todos — como deve ser —, há uma valorização na carreira e o total é maior. No escalonamento, tudo fica achatado.
O percentual de 14,95% deve ser aplicado no salário-base de todos, de forma a repercutir na carreira. Escalonado, nivela por baixo, desestimula a formação e anula as progressões por tempo de serviço. Especialista explica melhor a questão.
A ideia é fazer um dia nacional de mobilização em frente aos tribunais em todo o Brasil, para inibir ações como a que ocorreu em uma cidade de Santa Catarina, onde uma juíza, a pedido do prefeito, suspendeu no município a portaria do MEC que ratificou a correção salarial deste ano.









