EDUCAÇÃO | Deputado propõe cartaz para jogar alunos contra professores em sala de aula! Leia e compartilhe...

09/05/2018 16:09

Dep. Flavinho (PSC-SP) / Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados
Dep. Flavinho (PSC-SP) / Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

O cartaz tem um caráter claramente intimidatório e servirá para induzir alunos a denunciar seus professores. É mais dor de cabeça para os profissionais de sala de aula

DA REDAÇÃO | Segundo postagem de hoje (9) do Câmara Notícias, "o deputado Flavinho (PSC-SP) propôs que sejam afixados nas salas de aula das escolas de todo o País cartazes expondo seis deveres dos professores, criados pelo próprio parlamentar. Isto mesmo: o tal deputado Flavinho quer mais vigilância em cima dos mestres brasileiros. Esse parlamentar, para quem não lembra ou sabe, foi um dos maiores defensores da derrubada da presidenta Dilma Rousseff (PT). (Continua, após o anúncio).

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Medida do deputado Flavinho vai para análise em comissão especial para posterior votação e, segundo especialistas, se aprovada trará novas dores de cabeça aos profissionais de sala de aula. O cartaz tem um caráter claramente intimidatório e servirá para induzir alunos a denunciar seus professores. Veja após o próximo parágrafo exemplos de duas absurdas situações que poderão se tornar rotina na sala de aula, caso o  tal projeto seja aprovado

Cultura do medo e da intimidação

A estúpida ideia do deputado Flavinho é parte do projeto fascista "Escola Sem Partido" (PL 7180/14) que, na prática, visa amordaçar todos os professores — em particular os de História, Sociologia e Filosofia, e inibir a elevação da consciência crítica dos alunos acerca de temas importantes, como participação política, questão de gênero, orientação sexual e exploração de uma classe social pela outra. Os tais cartazes virão com dizeres informando que os professores estarão proibidos de falar sobre esses temas ou, se quiserem falar, terá que ser do jeito que está no projeto. (Continua, após o anúncio).

Duas situações que poderão virar rotina:

Primeira. Se um professor de História, por exemplo, ao falar da escravidão no Brasil assumir o ponto de vista de que tal monstruosidade foi um grave atentado contra os direitos humanos, esse professor poderá ser denunciado e punido de acordo com cartaz que o alertou sobre isso, pois o educador, a partir da ideia do deputado Flavinho e de outros que o seguem, estará quebrando a neutralidade que deverá ter o professor em sala de aula.

Num caso desses, o professor só escapará da punição se "ensinar" também aos alunos que a escravidão foi monstruosa mas também foi boa e inevitável, porque ajudou o País a se desenvolver. Ou seja, o deputado Flavinho & cia querem que os educadores façam a defesa histórica de alguns criminosos que comandaram e exploraram esse País e a maioria do povo humilde ao longo de mais de cinco séculos. (Continua, após o anúncio)

Segunda. E se uma professora de Literatura, também por exemplo, abordar a personagem Capitu — do famoso livro Dom Casmurro (Machado de Assis) e assumir a tese machadiana de que a instituição casamento, na família burguesa, é falida porque é recheada de hipocrisia e traições, o que lhe acontece? Também poderá ser punida, pois estará, na visão do deputado Flavinho, ensinando coisas 'erradas' aos alunos sobre as "pessoas de bem".

Nesse caso, para não ser penalizada, a professora teria que explicar também aos alunos que a personagem Capitu, suspeita de ter traído o marido Bentinho com o amigo dele Escobar, agiu indevidamente, caso tenha mesmo feito isso, pois "mulheres de bem" são infalíveis, fieis a seus maridos até à morte e nunca os traem ou abandona, mesmo que o marido seja violento, mulherengo e o maior canalha do planeta. E ainda deveria explicar que o Machado de Assis só questionou o casamento burguês e as "pessoas de bem" em Dom Casmurro porque era negro, pervertido e comunista, uma espécie de Chico Buarque da atualidade. Ou seja, o Escola Sem Partido quer criar um clima de censura e imbecilidade na sala de aula. (Continua, após o anúncio).

Sobre isso, o deputado Flavinho 'justifica', no Portal da Câmara: "Ele [professor] não deve apresentar o assunto de forma unilateral, parcial ou tendenciosa. Pode, inclusive, argumentar em favor, ou contra, determinada teoria, mas nunca antes de apresentar, de forma justa e séria, as concepções alternativas.

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