Jogar o valor do BPC para R$ 972,00 significa condenar milhões de brasileiros à vulnerabilidade extrema, com mais dificuldade até para comer e se vestir
É indigno atacar programas sociais como o BPC e outros
Jogar o valor do BPC para R$ 972,00 significa condenar milhões de brasileiros à vulnerabilidade extrema, com mais dificuldade até para comer e se vestir
A proposta defendida por Leonardo Rolim, ex-presidente do INSS do governo Jair Bolsonaro, de reduzir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para apenas 60% do salário mínimo — o que faria o benefício despencar de R$ 1.621,00 para indignos R$ 972,00 —, é um verdadeiro tapa na cara de quem depende do Estado para continuar existindo.
Como alguém que um dia precisou do Bolsa Família para não deixar os filhos passarem fome e que, graças ao apoio dos programas sociais e a muita luta, conseguiu superar as dificuldades financeiras e conquistar sua autonomia, eu leio notícias como essa com uma mistura profunda de indignação e revolta. Só pode vir mesmo de gente da direita, como a família Bolsonaro, em especial o Flávio Rachadinha, que quer ser presidente do Brasil, e de partidos como o PL.
Continua
Sempre que se fala em crise econômica, a cartilha dos burocratas parece ter uma única página: cortar direitos de quem está na base da pirâmide. Argumentar que é preciso desindexar ou encolher o BPC para equilibrar as contas públicas é ignorar a realidade nua e crua de quem vive à margem.
"A assistência social e a previdência assistencial não são privilégios; são a linha tênue que separa a vida com dignidade da miséria absoluta."
Quando eu estive no fundo do poço, sem perspectiva de trabalho e sem saber o que colocar na mesa, foi a rede de proteção social que me deu o fôlego necessário para respirar, reorganizar minha vida e voltar a caminhar com as próprias pernas. Retirar o sustento de idosos e pessoas com deficiência sob a desculpa de "ajuste fiscal" é desumano.
O que representa cortar o BPC para 60%?
Jogar o valor do BPC para R$ 972,00 significa condenar milhões de brasileiros à vulnerabilidade extrema. Entre os absurdos dessa medida, destaco:
Inviabilidade de sobrevivência: pagar aluguel, água, luz, alimentação e, sobretudo, arcar com o custo altíssimo de medicamentos de uso contínuo torna-se matematicamente impossível com menos de um salário mínimo.
Inversão cruel de prioridades: enquanto isenções fiscais bilionárias e privilégios intocáveis continuam intocados no topo, escolhe-se esmagar justamente quem não tem nenhuma outra forma de renda.
Ofensa à cidadania: programas sociais devem servir para emancipar e proteger, e nunca para serem transformados em alvos de cortes que destroem a dignidade humana.
O Brasil só será um país desenvolvido quando cuidar de sua gente com empatia e justiça. Eu venci as dificuldades porque tive o amparo do Estado no momento em que mais precisei, mas sei que nem todos têm as mesmas condições de superação. O BPC é a única âncora de sobrevivência para milhares de idosos e pessoas com deficiência. Reduzir esse valor é rasgar a solidariedade e decretar a falência da nossa humanidade.
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*Custódia Reis é professora e segue o Dever de Classe
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