Para tentar enganar a opinião pública e até os docentes, governadores e prefeitos costumam juntar eventuais vantagens dos professores para dizer que já pagam o piso nacional do ano. Não pode. Especialista explica a questão.
Governo lança concurso para professor(a) com 'pior salário' do Brasil
>> Sem Plano de Carreira, docentes da Rede Estadual do Piauí ganham todos praticamente a mesma remuneração, independentemente de formação ou tempo de serviço
>> Categorias: Economia, Educação, Piso do Magistério
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>> Por Redação / O estado do Piauí, cujo titular da pasta de governador é Rafael Fonteles (PT), lançou nesta quarta-feira (16) um edital de concurso público para o quadro efetivo de professores da Seduc-Pi. Segundo observado via e-mails por vários leitores do Dever de Classe, piauienses e de outros estados, dois detalhes chamam a atenção: o nível de exigência da seleção (quatro provas), e o salário de apenas R$ 5.250,83 (40 horas semanais) e a metade disso (R$ 2.625,41) para um turno.
Sem Plano de Carreira
Um outro detalhe que a grande mídia não mostra e que, por isso, muitos dos que concorrerão ao concurso certamente não sabem — é que por falta de um Plano de Carreira, docentes da Rede Estadual do Piauí ganham todos praticamente a mesma remuneração, independentemente de formação ou tempo de serviço. Ou seja, os que vão entrar só com a graduação ganharão o mesmo dos que estão saindo para a aposentadoria com doutorado. Uma vergonha.
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Outras redes de ensino
Na comparação com outras redes de ensino, inclusive de prefeituras do próprio estado do Piauí, professores estaduais piauienses ganham o pior salário do Brasil, segundo levantamento do Sinte-Pi. Em relação à Rede Estadual do Ceará, por exemplo, um graduado entra com R$ 6.839,10, um especialista com R$ 7.056,05, um mestre com R$ 10.322,10 e um doutor com R$ 13.064,91. Ainda nessa citada rede de ensino, graduados se aposentam com R$ 16.018,59; especialistas com R$ 16.949,25, e mestres e doutores com R$ 17.979,92
e R$ 20.102,57, respectivamente. Enquanto isso, no Piauí, todos ficam estagnados praticamente nesses R$ 5.250,83 (40 horas semanais) do edital do concurso aberto. Confira tabela da APEOC AQUI.
Dados do concurso
Vagas
Publicado no Diário Oficial do Estado, o edital oferece 2 mil vagas a serem preenchidas de forma imediata. E mais outras 2 mil vão compor o cadastro de reserva. Os salários são de R$ 2.625,41 (20 horas semanais) e R$ 5.250,83 (40 horas semanais).
Provas
De acordo com o edital, o processo está dividido em quatro etapas:
provas objetiva e discursiva, ambas eliminatórias e classificatórias;
prova didática, na qual o candidato apresenta plano de aula e ministra conteúdo;
e avaliação de títulos, de caráter classificatório.
As provas objetiva e a discursiva serão aplicadas em 1º de março de 2026, enquanto a didática ocorrerá entre 1º e 4 de maio de 2026. As avaliações serão aplicadas nos municípios sede das Gerências Regionais de Educação.
Disciplinas
O concurso irá selecionar professores para as disciplinas de
- Arte,
- Educação Física,
- Biologia,
- Espanhol,
- Filosofia,
- Física,
- Geografia,
- História,
- Informática,
- Inglês,
- Matemática,
- Português,
- Sociologia e
- Química.
Inscrições
As inscrições começam na próxima segunda-feira (22) e vão até 20 de janeiro de 2026 pelos sites do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), banca organizadora da seleção, e da Seduc.
O edital de resultado final da avaliação de títulos e de resultado final do concurso está previsto para sair em 25 de agosto de 2026.
Com informações de g1
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Diferenças dos 14,95% não pagas na data certa devem ser corrigidas, porque atualização do piso dos professores é em primeiro de janeiro. Especialista explica a questão.
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Movimento pode se estender por várias outras partes do País. No caso de Fortaleza, decisão foi tomada em Assembleia Geral com mais de 5 mil pessoas, entre docentes e funcionários de escolas.
O professor de Direito e Políticas Públicas da UFABC — Salomão Ximenes — diz que a lei do piso não foi revogada e que, inclusive, não há mudança de posicionamento no âmbito do Ministério da Educação.
Em muitas localidades, inclusive, o percentual é arredondado para 15% e até 16%.
Na aplicação linear de 14,95% para todos — como deve ser —, há uma valorização na carreira e o total é maior. No escalonamento, tudo fica achatado.
O percentual de 14,95% deve ser aplicado no salário-base de todos, de forma a repercutir na carreira. Escalonado, nivela por baixo, desestimula a formação e anula as progressões por tempo de serviço. Especialista explica melhor a questão.
A ideia é fazer um dia nacional de mobilização em frente aos tribunais em todo o Brasil, para inibir ações como a que ocorreu em uma cidade de Santa Catarina, onde uma juíza, a pedido do prefeito, suspendeu no município a portaria do MEC que ratificou a correção salarial deste ano.









