Mínimo deveria ser R$ 5.997,14; veja como é feito o cálculo

09/02/2022

Valor de R$ 1.212 — estipulado pelo presidente Jair Bolsonaro — não repõe sequer a inflação de 2021 e contraria a Constituição Federal, ao não suprir as despesas básicas de uma família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Carestia e salário baixo obriga maioria da população a "se virar nos 30" no dia a dia. Imagem: galeria Webnode.
Carestia e salário baixo obriga maioria da população a "se virar nos 30" no dia a dia. Imagem: galeria Webnode.

Economia | O salário mínimo necessário para atender uma família com dois adultos e duas crianças em janeiro deste ano deveria ter sido de R$ 5.997,14, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos divulgada nesta segunda-feira (7) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Ver como o cálculo é feito ao final da matéria.

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Insuficiente e inconstitucional

O salário mínimo anunciado para 2022, de R$ 1.212, não repõe sequer a inflação do ano passado, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e é 4,95 vezes menor do que o salário mínimo ideal. Além disso, contraria a Constituição Federal, ao não suprir as despesas básicas de uma família com dois adultos e duas crianças com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.  Continua, após o anúncio.

Bolsonaro acabou com a política de ganho real

A distância cada vez maior entre o salário necessário e o aplicado atualmente é resultado de medida adotada pelo presidente Jair Bolsonaro, que acabou com a política de ganho real praticada nos governos Lula e Dilma, ambos do PT. 

Isto, além de rebaixar o piso nacional, prejudicou também  o pagamento de aposentadorias e benefícios assistenciais e trabalhistas. De 2003 a 2017, segundo o Dieese, o ganho real, ou seja, acima da inflação foi de 77,01%.

Como é feito o cálculo

O Dieese faz uma pesquisa mensal dos preços da cesta básica em 17 capitais e, com base na cesta mais alta, estima o valor do salário mínimo ideal.

Em janeiro, em nove cidades, a alta acumulada da cesta básica em 12 meses supera os 10% (em um caso, os 20%) e chega a comprometer mais de 60% do salário mínimo líquido. Continua, após o anúncio.

Os alimentos aumentarem em 16 capitais. Açúcar, batata, café, óleo de soja e tomate foram alguns dos produtos que subiram de preço em janeiro.

Os maiores aumentos foram registrados em Brasília (6,36%), Aracaju (6,23%), João Pessoa (5,45%), Fortaleza (4,89%) e Goiânia (4,63%).

Em números absolutos, São Paulo foi o local onde a cesta básica apresentou maior custo, de R$ 713,86. A capital paulista é seguida por Florianópolis (R$ 695,59), Rio de Janeiro (R$ 692,83), Vitória (R$ 677,54) e Porto Alegre (R$ 673,00).

Entre as cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente das demais capitais, os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 507,82), João Pessoa (R$ 538,65) e Salvador (R$ 540,01).

Fonte: CUT Nacional

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