Pela nova fórmula de calcular o reajuste, tudo depende do INPC (inflação oficial) de 2026 e das contribuições dos entes federativos ao Fundeb, mas já é possível vislumbrar alguns números
Após fala do ministro, reajuste do magistério deve ficar entre 4,26% e 10%, e retroativo a 1º de janeiro
Camilo Santana informou que até o dia 15 deste mês o presidente Lula vai editar uma medida provisória para evitar que a categoria fique com apenas 0,37% de atualização salarial
Categorias: >> piso, >> educação, >> economia
Redação Dever de Classe, às 11:12
Definição do reajuste do magistério deve sair até o dia 15 deste mês. Quem afirmou isso de forma categórica nesta quinta-feira (8) foi o Ministro da Educação Camilo Santana. Do pronunciamento do ministro, quatro conclusões imediatas:
- A fala é oficial, pois partiu de suas próprias redes sociais.
- Tem consistência, pois o ministro disse que se reuniu com o presidente Lula e os ministros da Casa Civil e Fazenda antes de fazer a afirmação.
- Está descartado reajuste de apenas 0,37%.
- Atualização salarial deve ficar entre 4,26% e 10,06% ,retroativa a 1o de janeiro.
Continua
Por que o reajuste deve ficar entre 4,26% e 10,06%?
Em sua fala, Camilo Santana disse que o presidente Lula (PT) vai editar uma Medida Provisória até o dia 15 deste mês para resolver a situação. Tal MP tem duas possibilidades:
- Ter um caráter emergencial apenas para este ano de 2026. Neste caso, reajuste fica em 4,26%, índice inflacionário de 2025 confirmado nesta sexta-feira (9) pelo IBGE, segundo matéria da Agência Brasil.
- Ter caráter permanente, com base na proposta de cálculo da CNTE. Neste caso, reajuste fica em 10,06%. (Ver detalhes mais abaixo).
Terceira saída
É possível ainda uma saída intermediária entre essas duas hipóteses. Qual? O presidente Lula editar sua MP apenas para este ano, mas com um ganho real menor que a proposta da CNTE. Por exemplo: 5% ou 6%. Neste caso, a proposta da CNTE ficaria para discussão e aprovação durante 2026 e vigência a partir de 2027.
As três situação são positivas para os educadores de todo o país, pois o fantasma do reajuste de apenas 0,37% foi defenestrado.
Continua
Entenda a proposta da CNTE que eleva reajuste para 10,06%
Regras atuais
Pelas regras atuais, o reajuste do magistério é feito com base no crescimento do Fundeb dos dois anos anteriores. Desse modo, em 2026 ficou assim:
VAAF MIN FUNDEB 2024: R$ 5.648,91
VAAF MIN FUNDEB 2025: R$ 5.669,79
Reajuste 2026: 0,37% (descartado oficialmente pelo ministro Camilo Santana).
A nova fórmula da CNTE
INPC (inflação oficial do ano anterior) + 50% da média do Fundeb dos últimos cinco anos.
Desdobrando a nova fórmula, temos:
INPC 2025: 4,26%
Fundeb dos últimos cinco anos (%):
- 2025: 6,27
- 2024: 3,62
- 2023: 14,95
- 2022: 33,24
- 2021: ZERO
- Total: 58,08
- Média: 11,61
- 50% dessa média: 5,80
- Resultado: INPC + 50% da média = 4,26%+ 5,80% = 10,06%
Confira a fala do ministro Camilo Santana
PUBLICIDADE
Mais recentes de piso do magistério
Estados, DF e municípios ficam obrigados a pagar o piso do magistério para todos os professores, inclusive temporários e terceirizados, bem como não poderão ceder mais de 5% de seus quadros efetivos de educadores para outros órgãos ou poderes
Novo critério de correção do piso do magistério tem de ser retificado para valorizar graduação
Nas discussões para alteração do modo de correção do piso previa-se também incluir um percentual de 33,33% para valorizar quem tem nível superior, vez que o piso é para o ensino médio; debate sobre isso tem de continuar urgente
Como é o novo cálculo? A jornada de trabalho em sala de aula mudou? Vale para a correção de 2027? Prefeitos e governadores continuam sendo obrigados a cumprir?
Legislação já em vigor assegura reposição da inflação mais ganho real, mas impõe um fator limitante que impede correções mais robustas




