Taís índices de 7% ou 10% previstos para o reajuste do próximo ano não são, convenhamos, tão ruins, sobretudo o segundo. No entanto, se não forem aplicados em cima do salário-base de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários decente, com repercussão em todas as classes e níveis, esse percentuais, mesmo o de 10%, acabam não sendo lá quase nada.
Supondo que se confirme 10%. Neste caso, o piso mínimo para 40 horas semanais passa dos atuais R$ 5.130,63 para R$ 5.644,26, com ganho bruto de R$ 513,63. Se não houver um PCCS pelo menos razoável, onde o índice de 10% ou outro repercuta na carreira (classe e níveis) do educador, o "aumento" acaba ficando mesmo só nestes R$ 513,63, ou seja, muito baixo.
Na prática, a falta de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários razoável é a maior responsável pela baixa remuneração dos professores da educação básica pública no Brasil. Sem PCCS bom, mesmo com reajuste de 50% ou mais, o ganho final do educador sempre estará minguando, pois ficará só no piso.
Exemplo disso é a rede estadual do Piauí. À falta de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, professores se aposentam basicamente com o mesmo contracheque de quem ingressa nessa rede de ensino. Pesquisei isso no site do Sinte de lá e achei um absurdo.
Portanto, professor(a), só reajuste do piso não adianta se não houver um PCCS pelo menos razoável. É um bom PCCS que garante aos professores de estados, DF e municípios uma remuneração digna, mesmo quando a atualização de janeiro não for lá essas coisas.