Só piso não adianta se não houver plano razoável de cargos, carreiras e salários

09/08/2026

É um bom PCCS que garante aos professores de estados, DF e municípios uma remuneração digna, mesmo quando a atualização de janeiro não for lá essas coisas

Categorias: >> piso,  >> economia

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Por Sara H Assunção, pedagoga e especialista em finanças públicas, às 17:21


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Chega o mês de agosto e começam as especulações sobre quanto será o piso do magistério em 2027. A regra mudou e o índice de atualização não poderá ser menor que o INPC deste ano (inflação oficial), projetada até aqui pelo mercado financeiro para ficar em torno de 5,2%. Além disso, também  pela nova equação do cálculo aprovada neste ano, deve haver um ganho real no piso a partir de uma média dos últimos cinco anos relativa ao Fundeb. De modo que especialistas, pelas redes sociais, falam em correção que pode ficar entre 7% e 10%.

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Taís índices de 7% ou 10% previstos para o reajuste do próximo ano não são, convenhamos, tão ruins, sobretudo o segundo. No entanto, se não forem aplicados em cima do salário-base de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários decente, com repercussão em todas as classes e níveis, esse percentuais, mesmo o de 10%, acabam não sendo lá quase nada.

Supondo que se confirme 10%. Neste caso, o piso mínimo para 40 horas semanais passa dos atuais R$ 5.130,63 para R$ 5.644,26, com ganho bruto de R$ 513,63. Se não houver um PCCS pelo menos razoável, onde o índice de 10% ou outro repercuta na carreira (classe e níveis) do educador, o "aumento" acaba ficando mesmo só nestes R$ 513,63, ou seja, muito baixo.

Na prática, a falta de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários razoável é a maior responsável pela baixa remuneração dos professores da educação básica pública no Brasil. Sem PCCS bom, mesmo com reajuste de 50% ou mais, o ganho final do educador sempre estará minguando, pois ficará só no piso.

Exemplo disso é a rede estadual do Piauí. À falta de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, professores se aposentam basicamente com o mesmo contracheque de quem ingressa nessa rede de ensino. Pesquisei isso no site do Sinte de lá e achei um absurdo.

Portanto, professor(a), só reajuste do piso não adianta se não houve um PCCS pelo menos razoável. É um bom PCCS que garante aos professores de estados, DF e municípios uma remuneração digna, mesmo quando a atualização de janeiro não for lá essas coisas.


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