O mais curioso sobre Piaget é que ele não era pedagogo e nem psicólogo de formação original: ele era biólogo. E foi justamente esse olhar da biologia que ele levou para a mente das crianças
O cara dos "estágios": por que a gente ainda esbarra no Piaget (e por que isso é ótimo)
O mais curioso sobre Piaget é que ele não era pedagogo e nem psicólogo de formação original: ele era biólogo. E foi justamente esse olhar da biologia que ele levou para a mente das crianças
> Educação

*Vilma França, às 09:27
Se você passou — ou está passando — por qualquer curso ligado à Educação, Psicologia ou Pedagogia, em algum momento da sua vida acadêmica você encarou um gráfico colorido, leu sobre assimilação e acomodação ou tentou decorar os tais estágios do desenvolvimento.
Sim, estamos falando dele: Jean Piaget.

No dia 16 de setembro de 2026, completam-se 46 anos da morte desse pensador suíço que virou o terror (e a salvação) de muito estudante de madrugada às vésperas de prova. (E se alguém aí fez as contas com um pequeno deslize de digitação e pensou em 96 anos... Calma lá, ele nos deixou em 1980, mas a influência dele continua inteirinha no século XXI!
Mas afinal, quem foi esse tal de Piaget?
O mais curioso sobre Piaget é que ele não era pedagogo e nem psicólogo de formação original: ele era biólogo. E foi justamente esse olhar da biologia — de quem quer entender como os organismos se adaptam ao meio — que ele levou para a mente das crianças.
Enquanto a galera da época achava que criança era só "um adulto em miniatura" que sabia menos coisas (e que bastava despejar o conteúdo na cabeça delas como se fossem um copo vazio), o Piaget olhou e disse: "Calma lá. A cabeça da criança funciona de um jeito completamente diferente da nossa".
Ele começou a observar os próprios filhos (e outras crianças) brincando, errando, respondendo perguntas esquisitas e resolvendo probleminhas lógicos. E foi aí que ele revolucionou tudo.
A grande sacada: a Epistemologia Genética
Piaget cunhou uma teoria chamada Epistemologia Genética — que, traduzindo do "academicês" para o português claro, significa: como a gente constrói o conhecimento ao longo da vida?
Para ele, a criança não "aprende" por osmose ou só porque o professor falou bonito na lousa. Ela constrói o próprio conhecimento [cite: 1.1.6] interagindo com o mundo. É o famoso construtivismo: a gente tropeça, tenta entender o que aconteceu, reorganiza as ideias na cabeça (processos que ele chamou de assimilação e acomodação) e pimba: a inteligência avança.
Os famigerados 4 estágios
Se você já teve que listar isso numa prova, recorda com carinho (ou desespero) das quatro fases do desenvolvimento cognitivo segundo ele:
- Sensório-motor (0 a 2 anos): o bebê conhece o mundo pela boca, pelo toque e pelo movimento. Se escondeu o brinquedo atrás do pano, sumiu do universo (até os bebês descobrirem a "permanência do objeto").
- Pré-operatório (2 a 7 anos): o reino do faz de conta, do egocentrismo ("o mundo gira ao redor do meu brinquedo") e dos porquês infinitos.
- Operatório concreto (7 a 12 anos): a lógica começa a dar LS (Livre de Surpresas). A criança já entende que, se você despeja água de um copo baixo e largo num copo alto e fino, a quantidade de água continua a mesma.
- Operatório formal (12 anos em diante): Chega a abstração. Dá para pensar hipóteses, discutir filosofia, calcular "e se..." e, idealmente, refletir sobre a própria existência.
Por que ele ainda importa tanto?
Porque Piaget mudou a chave de como a escola enxerga o aluno.
Antes dele, a pedagogia era muito focada no ensino tradicional: o mestre fala, o aluno decora e, no dia seguinte, esquece [cite: 1.1.7]. Depois de Piaget, a educação foi obrigada a se perguntar: "Será que essa criança tem maturidade cognitiva para entender esse conteúdo agora?". Em vez de forçar a barra, a boa escola passou a respeitar o tempo do desenvolvimento.
Então, quando der 16 de setembro e você vir alguém citando "esquemas", "conflito cognitivo" ou "desenvolvimento" por aí, lembre-se do velhinho de óculos redondos e cachimbo que olhou para uma criança brincando com bolinhas de gude e mudou para sempre a forma como a humanidade ensina e aprende.
E aí, qual dos estágios de Piaget você sente que está patinando até hoje?
*Vilma França é psicóloga e segue o Dever de Classe
Envie também seu artigo para: pontodevista@deverdeclasse.org
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