Ele adapta os
conceitos fundamentais da filosofia existencialista. Essa corrente filosófica é
subversiva por expor a condição de liberdade em ruptura à visão teleológica de
uma suposta "vida com sentido" tão importante ao projeto
fundamentalista cristão. Sem contar que o desejo sexual é, por essência,
impossível de ser submetido ao poder. Por isso "perigoso" e
"indócil". Seria o cúmulo do retrocesso tirar o pensamento existencialista da grade
curricular de um curso de filosofia.
É possível ter alguma esperança em relação a esse novo ministro? Por
quê?
Não há esperanças de
uma educação emancipadora, vindo de alguém que deturpa o conhecimento a fim de
atingir seus objetivos evangelizadores.
Que saídas emergenciais, em sua opinião, há para a educação pública no
Brasil?
Estamos
em um momento de defensiva. Não vejo condições de buscarmos saída para
seguirmos avançando enquanto não derrubarmos esse governo [Bolsonaro]. Dos três apelos
utilizados pra eleger Bolsonaro (Segurança, combate à corrupção e moral cristã)
só resta justamente o apelo moral, já que os dois primeiros foram bastante
desgastados com a dissidência de Sérgio Moro. Esse apelo moral representado nas
pautas de costume será acionado ao máximo pra manter sua última base de
sustentação. A educação é uma pasta fundamental para esse projeto. Por isso,
mais prejuízos ainda estão por vir.