Veja 3 exemplos de como a rotina de professores pode se tornar um inferno caso "Escola sem Partido" seja aprovado!

29/11/2018 15:56

Em cada sala de aula haverá um cartaz com seis novos e reacionários deveres dos professores. Quem descumpri-los e for denunciado pelos alunos, poderá sofrer fortes sanções

Educação | O Projeto "Escola sem Partido" (PL 7180/14), de autoria do deputado Erivelton Santana (PSC-BA), está em vias de aprovação na Câmara dos Deputados. Em síntese, visa criar no ambiente da sala de aula um forte clima de censura e vigilância sobre a atividade diária dos professores. Na prática, projeto quer impor nas escolas a ideologia reacionária da chamada direita. No campo da teoria política, é puro fascismo. 

Após o anúncio, três exemplos de como a rotina dos professores pode se transformar num inferno, caso o "Escola sem Partido" seja aprovado.

1. Cartaz intimidatório

Pelo que propõe um dos relatores do projeto — deputado Flavinho (PSC-SP) — em cada sala de aula terá um cartaz com seis deveres dos professores. O objetivo de tal peça intimidatória é jogar os alunos contra os mestres que, por ventura ou na avaliação real ou imaginária do discente, esteja a descumprir os ditames expostos no tal cartaz. Imagine os conflitos que isso pode gerar e mais dores de cabeça aos educadores que isso pode trazer. Um aluno que não se dê bem com determinado mestre pode acusá-lo de infringir as regras estabelecidas, ainda que isto não tenha ocorrido. 


2. Fato numa aula de História

Se um professor de História, por exemplo, ao falar da escravidão no Brasil assumir o ponto de vista de que tal monstruosidade foi um grave atentado contra os direitos humanos, esse educador poderá ser denunciado e punido de acordo com cartaz que o alertou sobre isso, pois o mestre, a partir da ideia do deputado Flavinho e de outros que o seguem, estará quebrando a neutralidade que deverá ter o professor em sala de aula. Continua, após anúncio.

Num caso desses, o educador só escapará da punição se "ensinar" também aos alunos que a escravidão foi monstruosa mas foi boa e inevitável, porque ajudou o País a se desenvolver. Ou seja, o deputado Flavinho & cia querem que os educadores façam a defesa histórica de alguns criminosos que comandaram e exploraram esse País e a maioria do povo humilde ao longo de mais de cinco séculos. 


3. Fato numa aula de Literatura

E se uma professora de Literatura, também por exemplo, abordar a personagem Capitu — do famoso livro Dom Casmurro — de Machado de Assis e assumir a tese machadiana de que a instituição casamento, na família burguesa, é falha porque é recheada de hipocrisia e traições, o que lhe acontece? Também poderá ser punida, pois estará, de acordo com o "Escola sem Partido", ensinando coisas 'erradas' aos alunos sobre as "pessoas de bem".

Nesse caso, para não ser penalizada, a professora teria também que explicar algumas outras coisas aos alunos. A primeira é que Capitu agiu indevidamente, caso tenha mesmo traído seu marido Bentinho com Escobar, amigo do casal. A segunda é que "mulheres de bem" são infalíveis, fieis a seus maridos até à morte e nunca os traem ou abandonam, mesmo que o 'companheiro' seja violento, mulherengo e o maior pinguço e canalha do planeta. E ainda deveria explicar que Machado de Assis só questionou o casamento burguês e as "pessoas de bem" em Dom Casmurro porque era negro, pervertido e comunista, uma espécie de Chico Buarque da atualidade. Ou seja, o "Escola Sem Partido" quer criar um clima de censura e imbecilidade na sala de aula. Veja sanções, após o anúncio.

Sanções

Como todo Projeto de Lei que se aprova no Congresso Nacional, o "Escola sem Partido" também prevê sanções a quem descumpri-lo, no caso os professores. Punições podem ir desde simples advertências a até mesmo suspensões e demissões. Os educadores devem ficar alerta.

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