Professores terão importantes desafios em 2021, seja quanto a salário, reforma ou volta às escolas, diz analista

27/12/2020

"Embora haja a boa notícia da aprovação do novo Fundeb, docentes terão dificuldades na possível volta às aulas presenciais, seja com a questão da Covid-19 em si ou com algumas medidas tomadas pelo governo Bolsonaro." 

Imagem: aplicativo Canva.
Imagem: aplicativo Canva.

Publicidade

Educação | Consultado via Messenger pelo pelo Dever de Classe, o cientista social carioca Fred B Nogueira fala de possíveis desafios que os professores terão no Brasil a partir de 2021. O especialista centra sua análise nos docentes da educação básica pública de estados e municípios. Ele fala sobre retorno às aulas presenciais, novo Fundeb, piso nacional do magistério e Reforma Administrativa, algo que, segundo pondera, exigirá dos educadores muita atenção. Confira entrevista, após o anúncio.

Professor, por que o senhor diz que os docentes terão importantes desafios a partir de 2021?

Vamos começar pela notícia boa da aprovação do novo Fundeb sem desvio de dinheiro público para a rede privada. Ótimo, porque os repassem da União vão crescer 13% até 2026. Em 2021 já haverá um incremento de 2%. Além disso, percentual dos recursos do Fundo para pagar pessoal do magistério subiu de 60% para 70%. Mas a luta não acabou, pois alguns importantes ajustes ainda precisam ser feitos no Congresso no próximo ano e é aí que os privatistas podem novamente querer desviar dinheiro do Fundeb. Por isso os professores têm que ficar atentos a essa questão.

Que outros pontos devem merecer a atenção dos educadores em 2021? (Ver resposta após anúncio).

Basicamente três: retorno às aulas presenciais. Reajuste do piso nacional. E Reforma Administrativa.

Fale um pouco de cada...

Em minha opinião, nenhum professor ou aluno deve voltar às escolas antes que uma vacina tenha sido disponibilizada para todos. O problema é que o presidente Bolsonaro emperra o processo e o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, declarou que as crianças não serão incluídas no programa de vacinação contra a Covid-19. É o que está numa matéria de hoje (27) da Folha de S.Paulo. Agora, pergunto: as escolas têm condições de segurança para evitar que professores, funcionários e os próprios alunos se contaminem? Duvido.

Quanto ao piso nacional, pela primeira desde que foi criado, há o risco de que não tenha reajuste nenhum, nem da inflação oficial do País, o INPC. Portaria do governo Bolsonaro que reduziu o custo-aluno deste ano zerou a correção dos educadores. Professores precisam se levantar contra isso.

E a Reforma Administrativa? (Ver, após o anúncio).

Essa reforma mexerá com todo o funcionalismo médio e pequeno da União, estados e municípios. E também atingirá os professores, pois retira direitos já conquistados, mexe nas férias e no abono de férias e cria avaliação periódica de desempenho com o fim de provocar demissões. Os educadores terão que enfrentar isso ou, a médio prazo, estarão numa situação bem pior do que estão hoje. O presidente Bolsonaro já enviou o projeto ao Congresso.

Curta abaixo nossa página no Facebook para receber atualizações sobre este tema!

Faça uma pequena doação de um valor qualquer para que possamos continuar a manter este site aberto. Caso não possa ou não queira colaborar, continue a nos acessar do mesmo jeito enquanto estivermos ativos. Gratos.

Doar com PagSeguro

Curta nossa página e receba atualizações sobre este e outros temas!

Mais recentes...

Educadores repudiam descontos de salários e querem que o Sinte-Pi promova ação prática e urgente para que a governadora Regina Sousa (PT) reponha imediatamente o dinheiro cortado dos professores. Docentes exigem também que lotação original seja mantida.
No capitalismo, guerras são negócios, fome é negócio, crianças e idosos são negócios, miséria é negócio, "beleza" e "feiúra" são negócios, violência física e moral são negócios, o corpo é negócio, pessoas são negócio. Tudo é negócio...
"A lei do piso se transformará em mais uma norma sem sentido real". "Decisão se estenderá a todos os entes — estaduais e municipais." Ministro "Xandão" chegou a conclusão inusitada após embarcar em "informações e tese distorcidas prestadas pelo Estado do Pará". Avaliação consta em nota assinada pelo experiente advogado Walmir Brelaz, do Sintepp/Pa....