Ministro acusa docentes e ataca marxismo, mas não fala no piso do magistério nem nos problemas reais da Educação! Leia e compartilhe...

03/01/2019
Ricardo Vélez Rodrigues, ministro da Educação. Sua meta é combater um suposto "marxismo cultural" nas escolas e uma imaginária "doutrinação" dos professores / Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Ricardo Vélez Rodrigues, ministro da Educação. Sua meta é combater um suposto "marxismo cultural" nas escolas e uma imaginária "doutrinação" dos professores / Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Vélez busca ocultar do país os problemas concretos da educação, como o sucateamento das escolas e as baixas condições salariais dos profissionais do magistério, sobretudo da educação básica de estados e municípios

Educação | Ricardo Vélez Rodríguez — novo ministro da Educação — fez um discurso de posse ontem (2) onde acusou professores, louvou os "valores sagrados da família", prometeu combate ao "marxismo cultural" e divagou sobre outros temas irrelevantes. 

Vélez, no entanto, não tocou no reajuste do piso do magistério, principal política salarial dos professores da educação básica pública de todo o país. Percentual de correção estimado para 2019 é de 4,17%, e novo valor mínimo é R$ 2.557,73

MEC precisa lançar uma portaria ou nota onde torne isso oficial, algo que o novo ministro ainda não fez nem mencionou em sua fala inicial como comandante do Ministério da Educação.


Vazio

Em seu discurso, o novo ministro acusou os professores de fazer "doutrinação" nas escolas (o que é isso mesmo?), e disse também que a raiz dos problemas da alfabetização estaria em uma "suposta ideologização de esquerda" na área. Maluquice pura. Continua, após anúncio.

Vélez também destacou "os valores sagrados das famílias de bem" e louvou o astrólogo Olavo de Carvalho como um dos grandes gurus da humanidade. Carvalho indicou Vélez para o MEC. Talvez por isso o novo ministro o reverencie tanto.


Desviar atenção

O discurso de posse do novo ministro não revela apenas que ele é um conservador obsoleto. Vélez, ao se deter em problemas imaginários, busca ocultar do país o sucateamento das escolas públicas e as péssimas condições salariais dos educadores, problemas concretos que ele e Bolsonaro não têm a menor intenção de combater.

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Dia 10 foram R$ 6,7 bilhões. Nesta quinta-feira (20) entrarão mais quase R$ 2 bilhões. Valores relativos ao FPM são bem maiores que os recebidos no mesmo período de 2021. 20% vão para o Fundeb, o que ajuda a viabilizar o reajuste de 33,23% dos professores.
Sangria nos salários de quem não está mais na ativa se intensificou a partir da Reforma da Previdência criada pelo presidente Bolsonaro. Cortes nos benefícios chegam a até 14% mensais.
R$ 5,4 bilhões entrarão dia 10 nos cofres municipais. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o decêndio é 15,24% maior do que o mesmo repasse de janeiro de 2021. Sem dúvidas, um bom incentivo inicial que pode ajudar no pagamento do piso do(a) professor(a).