Culto repentino a Belchior reflete uma tendência surgida quando ele decidiu "se matar"

09/01/2021 18:16

Bel, como é agora chamado carinhosamente por antigos e novos fãs, ganhou mais público quando optou pelo anonimato e abandonou a carreira e os palcos.  

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Foto/Reprodução.
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Cultura | Por *Landim Neto - Há um culto repentino a Belchior, algo que pode ser notado de forma mais nítida nas redes sociais. Meio que do nada, jovens cujos pais eram adolescentes quando o talentoso músico cearense apareceu — passaram a louvar o Bel, como carinhosamente o chamam, de forma muito apaixonada. Parecem até velhos fãs do autor de Paralelas e Coração Selvagem. A tietagem com o carismático ídolo e suas músicas é tamanha que "Sujeito de sorte", do LP Alucinação, 1976, virou uma espécie de hino contra a Covid-19, na virada de 2020. Continua, após o anúncio.

Esse crescimento na popularidade de Belchior, entretanto, não é algo comum na história de outros artistas famosos, pelo menos no Brasil. Grandes ídolos como Cazuza, Raul Seixas ou Renato Russo não despertaram interesse parecido após falecerem, embora, evidentemente, tenham continuado populares.

O crescimento da admiração por Belchior, parece-me, é uma tendência surgida de antes, de quando ele "decidiu se matar". Após o artista cearense abandonar de forma inusitada a carreira e os palcos e, na prática, 'morrer' enquanto presença de carne e osso para seus muitos fãs, por volta de 2007, o interesse por seu trabalho aumentou.

Por conta do misterioso sumiço, no You Tube seus vídeos 'bombaram'. A grande mídia passou a fazer todo tipo de especulação sobre seu desaparecimento. E os fãs se encarregaram de espalhar nas redes sociais verdadeiras lendas sobre sua volta. Volta que nunca ocorreria. Continua, após o anúncio.

Em 30 de abril de 2017, a imprensa nacional divulgou a morte real de Belchior em tom de suspense e um certo sensacionalismo. Isto fez a popularidade do brilhante compositor crescer ainda mais. A vigília na casa em Santa Cruz do Sul (RS), local onde faleceu, o velório em Sobral, sua terra natal, e o enterro em Fortaleza colocaram Belchior nas alturas.

O inusitado dessas "duas mortes" de Belchior talvez expliquem a intensificação do amor dos velhos fãs e a admiração repentina que milhares de novos seguidores agora demonstram ter por ele. Mas isto não é o mais relevante quando se fala de Belchior. 

O mais relevante, como diz artigo do Caetano Veloso, publicado no Estadão no dia do óbito do artista: "Não é por acaso que Belchior é lembrado e louvado por gerações sucessivas. Suas canções não são das que morrem."

*Landim Neto é editor do Dever de Classe

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