O porta-voz da incoerência

20/03/2024
Quanto mais esbraveja, mais afunda na lama das próprias contradições.  Foto: José Cruz/Agência Brasil.
Quanto mais esbraveja, mais afunda na lama das próprias contradições. Foto: José Cruz/Agência Brasil.

Na denúncia vazia que Ciro faz contra Lula em relação a precatórios, ele próprio teve de admitir que é um mentiroso.

Quarta-feira, 20:21

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Logo nos versos iniciais de Agalopado, faixa do álbum Espelho Cristalino (1977), o cantor Alceu Valença apresenta ao público um "eu lírico" cheio de contradições, que diz: "Quando eu canto o seu coração se abala / Pois eu sou porta-voz da incoerência." 

No curso de toda a letra, a "voz poética" criada pelo artista pernambucano expõe sentimentos que se contrapõem, através de imagens muito sonoras e belíssimas, como: "Tempestade eu transformo em calmaria / E dou um beijo no fio da navalha / Pra dançar e cair nas suas malhas / Gargalhando e sorrindo de agonia".

No mundo real da política brasileira há também um porta-voz da incoerência. Ele não tem sido capaz de criar imagens que minimamente expressem, ainda que de longe, alguma beleza, pois se deixou dominar pelo ressentimento e ódio. 

Calmaria, ele transforma em tempestade. E quando expõe suas opiniões ou sentimentos, não o faz com sonoridade audível. O que predomina em suas falas é a estridência e dissonância vocais. Uma coisa horrorosa. É o Ciro Gomes, do PDT do Ceará.

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Como um porta-voz da incoerência sem qualquer vestígio de poesia, ele tem se dedicado novamente a atacar o presidente Lula (PT), acusando-o, sem quaisquer provas, de usar precatórios de trabalhadores — R$ 93 bi — para favorecer bancos, em conluio com o Poder Judiciário.

É uma voz nada poética, que parece confundir realidade com ficção, ao tentar transformar o próprio desejo numa verdade, "verdade" esta que ele sabe que é uma mentira. 

Nesta nova-velha empreitada de ódio contra o maior líder do PT e este partido, Ciro criou uma newsletter paga. É como se fosse uma espécie de show de um músico assim como o Alceu

Em tal ferramenta, já está com duas sessões (10 e 18 deste mês) — que promete cantar a música "Provas Reais que o Lula Roubou os Precatórios". Mas não canta. Só berra. Enrola a platéia com uma retórica estridente e vazia.

Na última inclusive teve de admitir que é um mentiroso, ao comentar de forma lamuriante na própria newsletter uma matéria do Estadão e uma Nota do Banco Central sobre essa tal letra que ele não sabe cantar. Mas justificou. Com outras palavras, quer dizer, gritos, vociferou que as mentiras são para o povão entender melhor as "denúncias" que ele faz. Ah, tá!

De tanto esbravejar sandices, Ciro Gomes afunda cada vez mais na lama de suas próprias contradições. E se isola cada vez mais.  Tivesse eu talento para a música, pegaria um gancho na Agalopado — do Alceu Valença — e faria uma letra para homenagear o velho político do Ceará. O título: Avacalhado.

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