Qual professora(a) que nunca inventou uma 'histórinha' para faltar à escola? Só não pode é exagerar

27/09/2026

Todo colégio tem aquele professor que carrega a cruz da famosa fama de enrolão. Sabe aquela figura lendária que parece viver em um estado permanente de quase-atestado médico?

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A arte de sumir: confissões (e histórias) da sala dos professores

O cheiro de café morno da garrafa térmica de sempre, o eco distante de uma turma no pátio e aquele breve segundo de paz antes de mais uma aula começar. Foi nesse cenário tipicamente caótico que olhei para os meus colegas de trincheira — os eternos guerreiros da lousa — e lancei a pergunta de um milhão de dólares:

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"Ok, pessoal, confessem de verdade: quem aqui já inventou uma desculpa mirabolante só para não vir dar aula?"

O silêncio durou exatamente dois segundos, seguido por risos nervosos e olhares cúmplices. Porque, vamos combinar, quem nunca?

A fama de enrolão: um título de honraria

Todo colégio tem aquele professor que carrega a cruz da famosa fama de enrolão. Sabe aquela figura lendária que parece viver em um estado permanente de quase-atestado médico? O pneu do carro dele fura com uma frequência impressionante, o cachorro sempre come alguma chave importante, e o encanamento de casa decide estourar justamente nas segundas e sextas-feiras.

A gente brinca, mas a verdade é uma só: o magistério cobra um preço altíssimo da nossa sanidade mental. E quando o cérebro pifa, o corpo exige um dia off. É aí que a criatividade humana atinge patamares dignos de roteiro de Hollywood.

O limite da criatividade (e o drama da diretoria)

Faltar na escola é quase um esporte olímpico entre os docentes, mas justificar a ausência exige talento literário. Entre desculpas comuns como intoxicação alimentar misteriosa ou crise de labirintite fulminante, existem aqueles casos extremos que entram para o folclore escolar.

  • A carta na manga mais pesada: sim, estamos falando daquela clássica e dramática cartada de dizer que a mãe morreu (sendo que a mãe está ótima, assistindo à novela em casa).

  • O olhar da direção: o mais fascinante nessa história toda não é a audácia de quem inventa a tragédia grega para escapar da reunião pedagógica, mas a reação da diretoria.

As diretoras — verdadeiras detetives da vida alheia com radares altamente calibrados — nunca acreditam. Elas conhecem cada tom de voz, sabem quem falta por preguiça e mapeiam o histórico de atestados falsos de cabo a rabo.

Porém, por um pacto implícito de sobrevivência, pura falta de paciência para enfrentar o climão ou pura misericórdia, elas simplesmente fingem que acreditaram. Balançam a cabeça com uma falsa expressão de profundo pesar, murmuram um "meus sentimentos, querido(a)" e assinam o papel. Ninguém ousa confrontar, porque todo mundo sabe que um dia a corda pode esticar para o lado de lá da mesa.

No fim das contas, entre uma chamada atrasada e pilhas de provas para corrigir, a gente sobrevive como pode nesse universo escolar maluco.

E você, qual foi a desculpa mais criativa que já deu (ou ouviu alguém dar) para conseguir faltar ao trabalho?

*Dora Neiva é professora e segue o Dever de Classe

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