Ao investigar as raízes do problema, torna-se evidente que a agressão não nasce do vazio, mas sim de uma convergência complexa de fatores individuais, relacionais e estruturais
A polêmica sobre se coordenador pedagógico deve assumir sala de aula quando o(a) professor(a) falta
O embate sobre essa rotina caótica escancara feridas antigas nas escolas, sobretudo nas públicas, e gera um verdadeiro cabo de guerra entre quem está na linha de frente da docência e quem gerencia o espaço escolar
Quem segura a barra? A polêmica sobre quem deve assumir a sala de aula na ausência do professor
O sinal toca, o professor falta de última hora e o pânico se instala na escola. Alunos sem rumo nos corredores, diretores aflitos e uma pergunta que divide profundamente a sala dos professores e a coordenação pedagógica: de quem é a responsabilidade de cobrir a aula vaga? O embate sobre essa rotina caótica escancara feridas antigas nas escolas, sobretudo as públicas, e gera um verdadeiro cabo de guerra entre quem está na linha de frente da docência e quem gerencia o espaço escolar.
"É papel da coordenação", dizem os professores
Para uma parcela significativa dos docentes, a resposta é simples e direta. Os professores argumentam que a coordenação pedagógica possui formação na área, conhece as turmas e tem o dever institucional de garantir que o ritmo escolar não pare.
"A coordenação está na escola para apoiar o processo de ensino-aprendizagem. Quando o professor falta, o suporte imediato deveria ser a gestão assumir a turma para manter a ordem e o conteúdo pedagógico, em vez de deixar os alunos soltos no pátio ou entregues a atividades vazias", opinião quase unânime entre os docentes.
Sob essa ótica, o coordenador não pode ser visto apenas como um gestor de gabinete, mas sim como retaguarda pedagógica pronta para agir exatamente nas crises.
"Sala de aula não é nossa função", rebate a coordenação
Do outro lado do balcão, a reação é de indignação. Os coordenadores pedagógicos apontam que assumir turmas de última hora desvirtua completamente a sua função original, transformando-os em meros "tapa-buracos" de um sistema falho.
"Nossa agenda é abarrotada de demandas sistêmicas, atendimento a famílias, orientação de professores e burocracias sufocantes. Se eu passo o dia cobrindo furos em sala de aula, quem faz o meu trabalho de gestão? A escola precisa encontrar outras saídas estruturais, como bancos de professores substitutos, e não jogar essa conta nas costas da coordenação", defende uma coordenadora pedagógica de uma escola em que trabalhei.
Para os gestores, cobrir ausências de forma crônica é um sintoma da falta de planejamento das redes de ensino, que penaliza quem já está sobrecarregado.
Um impasse sem fim?
Enquanto o debate pega fogo entre os corredores escolares, o problema continua sem uma diretriz nacional clara. O resultado é um ciclo vicioso de desgaste na relação entre docentes e gestão, onde quem acaba sofrendo o maior prejuízo é o aluno, refém de um sistema despreparado para lidar com imprevistos cotidianos.
Na sua opinião, qual seria a solução mais justa para resolver o problema das aulas vagas nas escolas sem sobrecarregar nem professores nem coordenadores?
*Shirley Passos é coordenadora pedagógica e segue o Dever de Classe
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