Os números recentes da pesquisa CNTE/FGV apenas colocam em letras frias aquilo que sentimos na pele todos os dias: o medo constante de sofrer perseguições políticas, a exposição injusta a críticas infundadas e a sensação sufocante de que qualquer palavra ou escolha pedagógica pode ser distorcida por lentes mal-intencionadas. Ver que três em cada quatro colegas temem punições por decisões profissionais mostra o nível de adoecimento a que chegamos.
A nossa autonomia foi esmagada entre regras rígidas que nos reduzem a meros cumpridores de ordens e o conflito constante com famílias que parecem ver no professor um adversário, e não um aliado na formação dos filhos. O trabalho tornou-se mentalmente exaustivo, onde o foco deixou de ser o aprendizado do aluno para passar a ser a autodefesa contra ameaças externas e pressões governamentais descabidas.
Ser professor no Brasil hoje é carregar um fardo invisível, mas pesado demais, onde a paixão por ensinar cede lugar à angústia e à incerteza sobre o dia de amanhã. Se nada for feito urgentemente para resguardar a nossa dignidade e garantir o respeito à liberdade de cátedra, não restará quem queira assumir a nobre missão de educar as futuras gerações.