Por que Amy Lee elegeu Bo Burnham o melhor da História, e a vibe inegável de Belchior

27/09/2026

O Bo Burnham nessa fase de Inside — cabelo desgrenhado, óculos de grau, bigodinho e aquele olhar de quem questiona o sentido de absolutamente tudo no universo é fisicamente idêntico ao nosso inesquecível Belchior! 

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Se você perguntasse para a realeza do rock alternativo qual é o melhor álbum de todos os tempos, aposto que a sua lista mental passaria por clássicos sombrios do The Cure, Depeche Mode ou até produções pesadas do metal sinfônico. Mas a dona da nossa nostalgia adolescente favorita, Amy Lee (a inconfundível vocalista do Evanescence), resolveu chutar o balde das expectativas com muita classe.

Em entrevista à revista Classic Rock, ela soltou a resposta mais inesperada possível:

"Vai parecer a resposta mais maluca, mas na verdade veio de um especial de comédia da época da pandemia [2021]. É do Bo Burnham, e a trilha sonora se chama Inside (The Songs). Obviamente, estávamos todos presos em casa, mas ele criou uma obra de arte incrível. Acho que ele se inspira em diferentes artistas que ele meio que imita, e ele é um ótimo compositor. Vai te fazer rir, mas também vai partir seu coração. Eu ouço o tempo todo."

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Convenhamos: Inside foi o retrato definitivo daquela sanidade esvaindo-se no confinamento. Bo Burnham trancado sozinho em um quarto, com luzes coloridas, um sintetizador e crises existenciais em formato de chiclete pop-satírico, capturou o zeitgeist como ninguém.

Quando a voz por trás de Bring Me To Life confessa que ouve o disco o tempo todo porque ele consegue, ao mesmo tempo, estilhaçar e colar o nosso coração, ela traduz o sentimento de quem já passou horas encarando o teto em dias difíceis. É sobre rir do colapso global enquanto o mundo desaba lá fora.

O plot twist geográfico: o clone estético de Belchior?

Mas segura essa curva na estrada da cultura pop, porque há um detalhe que não dá para ignorar. Olhe bem para o Bo Burnham nessa fase de Inside — cabelo desgrenhado, óculos de grau, bigodinho e aquele olhar de quem questiona o sentido de absolutamente tudo no universo.

Ele é fisicamente idêntico ao nosso inesquecível Belchior!

Sim, o bardo da MPB por trás de clássicos como "Como Nossos Pais", "Sujeito de Sorte" e "A Palo Seco", que nos deixou em 13 de abril de 2017, parece ter uma versão do multiverso norte-americana atuando em formato de comédia stand-up musical. A estética existencialista, o desabafo poético e a intensidade nos olhos criam uma ponte bizarra, porém perfeita, entre a comédia de confinamento dos EUA e a melancolia lírica brasileira.

No fim das contas, ver a rainha do Evanescence rendida ao gênio tragicômico de Bo Burnham — com essa vibe que nos lembra tanto o saudoso Belchior — só prova que a boa arte não tem fronteiras geográficas ou de gênero. É sobre rir para não chorar... ou chorar rindo com estilo.

*Sara Melo é professora de Artes e segue o Dever de Classe.

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