O rock não morreu, meu querido Paulo Ricardo; ele só cansou de pedir licença para tocar em rádio comercial e foi fazer barulho onde realmente importa: na rua, nos festivais independentes e nas plataformas de streaming, longe das amarras do mainstream engessado
O rock não morreu, só saiu do escritório (e ainda bem!)
O rock não morreu, meu querido Paulo Ricardo; ele só cansou de pedir licença para tocar em rádio comercial e foi fazer barulho onde realmente importa: na rua, nos festivais independentes e nas plataformas de streaming, longe das amarras do mainstream engessado
Salve, galera do fone de ouvido no talo. Recentemente, li uma declaração do nosso querido veterano Paulo Ricardo (ex-RPM) na Rolling Stone que me deu coceira nos dedos. Com todo o respeito à história dos anos 80, o homem soltou que "o rock não sobreviveu à virada do século" e que a última geração no Brasil parou em NX Zero, Fresno e Tihuana.
Calma lá, paizão. O rock não morreu; ele só cansou de pedir licença para tocar em rádio comercial e foi fazer barulho onde realmente importa: na rua, nos festivais independentes e nas plataformas de streaming, longe das amarras do mainstream engessado.
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O falso luto das paradas de sucesso
Medir a saúde do rock pelas paradas globais de hoje é como tentar achar poesia em reunião de diretoria. O pop e o trap dominam os algoritmos porque a indústria muda, mas a atitude rock and roll sempre foi sobre contracorrenteza, não sobre topo de ranking.
Se o gênero tivesse morrido em 2000, não estaríamos vendo uma explosão global de bandas que resgatam a energia primária do punk, do grunge e do garage rock com uma roupagem totalmente nova e urgente.
A cozinha do barulho no Brasil não parou
Dizer que a última safra brasileira parou nos anos 2000 é ignorar o que está rolando na cena underground e independente do país. A molecada e os veteranos renovados continuam fazendo som de altíssima qualidade. Dá uma olhada em quem está mantendo a chama acesa por aqui:
Supercombo: misturando peso, poesia urbana e inventividade sonora.
Far From Alaska: o stoner rock potiguar que conquistou o exterior com peso e personalidade.
Violet Soda / Bullet Bane: mantendo o espírito cru do punk rock e do hardcore acelerado e atual.
Ego Kill Talent: o peso progressivo e moderno que bota respeito em qualquer palco internacional.
O mundo continua sujo e barulhento
Fora do Brasil, a história se repete. O rock encontrou novos padrinhos que não têm vergonha de sujar as mãos de graxa. Nomes como Turnstile (redefinindo o hardcore com groove), IDLES e Fontaines D.C. (trazendo a urgência poética pós-punk) provam que o gênero está mais vivo, político e visceral do que nunca.
O rock nunca foi sobre tabelas de vendas ou cartas na manga de executivos de gravadora. É sobre urgência, distorção e sangue nos olhos.
O rock não precisa de atestado de óbito. Ele só mudou de endereço. E você, qual foi a última banda nova de rock que te fez sacudir a cabeça de verdade?
*Zeca Machado é professor de História e segue o Dever de Classe.
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