O rock não morreu, só saiu do escritório (e ainda bem!)

27/09/2026

O rock não morreu, meu querido Paulo Ricardo; ele só cansou de pedir licença para tocar em rádio comercial e foi fazer barulho onde realmente importa: na rua, nos festivais independentes e nas plataformas de streaming, longe das amarras do mainstream engessado 

PROCURAR

Salve, galera do fone de ouvido no talo. Recentemente, li uma declaração do nosso querido veterano Paulo Ricardo (ex-RPM) na Rolling Stone que me deu coceira nos dedos. Com todo o respeito à história dos anos 80, o homem soltou que "o rock não sobreviveu à virada do século" e que a última geração no Brasil parou em NX Zero, Fresno e Tihuana.

Calma lá, paizão. O rock não morreu; ele só cansou de pedir licença para tocar em rádio comercial e foi fazer barulho onde realmente importa: na rua, nos festivais independentes e nas plataformas de streaming, longe das amarras do mainstream engessado.

Leia também:

APOIE O DEVER DE CLASSE!

Sem apoio, página pode ficar off-line. Temos custos!

Chave Pix copiada!

O falso luto das paradas de sucesso

Medir a saúde do rock pelas paradas globais de hoje é como tentar achar poesia em reunião de diretoria. O pop e o trap dominam os algoritmos porque a indústria muda, mas a atitude rock and roll sempre foi sobre contracorrenteza, não sobre topo de ranking.

Se o gênero tivesse morrido em 2000, não estaríamos vendo uma explosão global de bandas que resgatam a energia primária do punk, do grunge e do garage rock com uma roupagem totalmente nova e urgente.

A cozinha do barulho no Brasil não parou

Dizer que a última safra brasileira parou nos anos 2000 é ignorar o que está rolando na cena underground e independente do país. A molecada e os veteranos renovados continuam fazendo som de altíssima qualidade. Dá uma olhada em quem está mantendo a chama acesa por aqui:

Supercombo: misturando peso, poesia urbana e inventividade sonora.

Far From Alaska: o stoner rock potiguar que conquistou o exterior com peso e personalidade.

Violet Soda / Bullet Bane: mantendo o espírito cru do punk rock e do hardcore acelerado e atual.

Ego Kill Talent: o peso progressivo e moderno que bota respeito em qualquer palco internacional.

O mundo continua sujo e barulhento

Fora do Brasil, a história se repete. O rock encontrou novos padrinhos que não têm vergonha de sujar as mãos de graxa. Nomes como Turnstile (redefinindo o hardcore com groove), IDLES e Fontaines D.C. (trazendo a urgência poética pós-punk) provam que o gênero está mais vivo, político e visceral do que nunca.

O rock nunca foi sobre tabelas de vendas ou cartas na manga de executivos de gravadora. É sobre urgência, distorção e sangue nos olhos.

O rock não precisa de atestado de óbito. Ele só mudou de endereço. E você, qual foi a última banda nova de rock que te fez sacudir a cabeça de verdade?

*Zeca Machado é professor de História e segue o Dever de Classe.

Envie também seu artigo ou sugestão de matéria no formulário abaixo.

RECEBA ATUALIZAÇÕES

Publicidade

Leia mais sobre música

O rock não morreu, meu querido Paulo Ricardo; ele só cansou de pedir licença para tocar em rádio comercial e foi fazer barulho onde realmente importa: na rua, nos festivais independentes e nas plataformas de streaming, longe das amarras do mainstream engessado

Ouvir samba é mergulhar em uma batida que conversa com o corpo e com a alma, revelando a essência da música brasileira. Cada batucada do pandeiro, cada cavaquinho bem marcado e cada coro que se levanta criam uma atmosfera de celebração, pertencimento e alegria coletiva

Share