Caso Lula não leve a parada logo na primeira rodada de votação, como se comportariam os candidatos derrotados da direita? Todos iriam com Flávio? Não é bem assim
Nova pesquisa Quaest e um cenário de 2o turno ignorado por analistas
Caso Lula não leve a parada logo na primeira rodada de votação, como se comportariam os candidatos derrotados da direita? Todos iriam com Flávio? Não é bem assim
Categorias: >> política >> economia

Por Landim Neto, editor do site, às 9:27
O Dever de Classe passou alguns meses sem atualizações, devido à falta de recursos necessários para cobrir os vários custos financeiros da página. Com apoio de alguns amigos e amigas, voltamos neste domingo (2), mas ainda com muitas limitações, pois as despesas continuam. Por isso, solicitamos sua colaboração, por modesta que seja. Do contrário, página pode ser desativada novamente. Pix: apoio@deverdeclasse.org
Vamos à matéria!
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5) mostra novamente o favoritismo de Lula (PT) nos dois turnos do pleito eleitoral que se avizinha. De acordo com O Globo, "na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida ao Planalto, o petista aparece [no segundo turno] com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)." No primeiro turno, a situação está assim:
- Lula (PT): 39%
- Flávio Bolsonaro (PL): 30%
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Renan Santos (Missão): 4%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
- Augusto Cury (Avante): 1%
- Samara Martins (UP): 1%
O que pode ocorrer no segundo turno
Pelo que tenho visto de analistas em canais progressistas como Brasil 247, ICL, DCM etc, o pensamento predominante é o de que todos os direitistas se uniriam contra Lula, numa espécie de confronto entre o "bem" (como a direita e extrema direita se consideram) e o "mal" (como eles qualificam Lula, PT e toda a esquerda). Neste caso, naturalmente haveria mais dificuldade para o candidato petista.
Contudo, a meu ver, isto não é algo que se possa afirmar assim com tanta convicção, embora seja o caminho mais fácil de tentar projetar uma possível rodada final entre os dois principais concorrentes e os apoios que poderão ter.
Sobre isso, é preciso primeiro lembrar o caráter das eleições burguesas. Todo o processo é cuidadosamente planejado para garantir que o vencedor seja alguém que aceite governar o país dentro dos rígidos limites que a própria burguesia — como classe dominante — impõe, sobretudo na área econômica. Lula é uma ameaça aos muito ricos em relação a isso? Não é. Algum dia nesses seus três governos o petista falou em estatizar o sistema financeiro e os grandes meios privados de produção para implantar o Socialismo? Não falou.
O que Lula se propõe e tem feito com muito êxito até aqui é gerenciar o estado capitalista com medidas que por um lado garantem os grandes negócios burgueses e, por outro, não vira as costas para os mais pobres, algo que os direitistas odeiam.
O petista, portanto, defende na prática o mesmo modelo econômico (regime burguês, capitalismo) que Zema, Caiado e Renan Santos defendem. A diferença está na política econômica, isto é, nas ações objetivas para a manutenção desse modelo.
Enquanto Lula destina uma pequena fatia do Orçamento da União para inúmeros e bem sucedidos programas sociais, o trio aí em questão não toleraria tal tipo de coisa em eventuais mandatos que pudessem ter na Presidência da República.
Apoie o site! Temos custos.
Pix: apoio@deverdeclasse.org
O que está em jogo, pois, é somente a disputa pela gerência burguesa ou capitalista do país. Não existe essa história de "comunismo" ou "socialismo" que atribuem ao candidato do PT. Isto é farofa para alimentar a gadaiada inculta da classe média que pensa que é burguesa. E o Caiado, Zema e Renan Santos sabem muito bem disso, embora, por malandragem, divulguem o oposto.
Assim, se é verdade que esses três políticos da direita sabem que Lula não representa qualquer ameaça aos pilares do regime político-econômico que eles defendem com unhas e dentes, por que em um eventual segundo turno correriam de olhos fechados para apoiar Flávio Bolsonaro? O que ganhariam a curto, médio e longo prazo com isso?
Ora, o que o Caiado, Zema e Renan Santos querem é gerenciar o país, eles mesmos. E com uma vitória de Flávio isso se tornaria mais difícil, pois o Zero Um tenderia a querer se reeleger, naturalmente. E depois indicar os próprios irmãos, já que só acreditam neles mesmos. Isto sem falar na volta do Jair, que fortaleceria ainda mais o projeto de perpetuação de poder familiar que eles têm na cabeça. Não é, portanto, um bom negócio para esses direitistas apostarem na vitória de Flávio Bolsonaro.
Por outro lado, eles sabem também que essa é última eleição do atual candidato do PT. Em 2030, o concorrente petista será outro. Desse modo, seria muito mais fácil sonhar com a Presidência da República sem ter de enfrentar diretamente o fenômeno eleitoral Lula da Silva. Ou não?
Nesse caso então, Zema, Caiado e Renan podem declarar voto em Lula? Não creio. Mas eles podem sabotar a campanha do Flávio, "lavando as mãos", pregando voto nulo, fazendo exigências que soem como denúncias ou, simplesmente, indo para Paris, como fez Ciro Gomes em 2018 para prejudicar Fernando Haddad, candidato do PT.
Por fim, o mais certo mesmo é que Lula será reeleito. E talvez com um apoio indireto desses três aí.
Apoie o site! Temos custos.
Pix: apoio@deverdeclasse.org
PUBLICIDADE
Mais recentes sobre política
Com novas reformas previdenciária, trabalhista e administrativa, o candidato da extrema direita quer dificultar ainda mais a aposentadoria, extinguir direitos do mundo do trabalho e liquidar o funcionalismo da União, estados, DF e municípios
O general reacionário é contra qualquer medida econômica que vise beneficiar os interesses do povo
O Zero Um tem de correr, pois até muitos de seus seguidores já começam a espalhar memes sobre a delicada situação
Partido dos Trabalhadores tem boas chances de se manter no PI, BA, RN e CE, bem como no Palácio do Planalto




