Longe de ser um mero acervo de curiosidades do passado, o folclore constitui a espinha dorsal da herança imaterial de um povo
O Dia do Folclore e a Força da Tradição Popular
Longe de ser um mero acervo de curiosidades do passado, o folclore constitui a espinha dorsal da herança imaterial de um povo
Por *Tenório A Correia, às 23:10
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Cultura / Celebrado em 22 de agosto, o Dia do Folclore simboliza a exaltação da identidade e da memória coletiva de um povo. A palavra, nascida do inglês folk (povo) e lore (sabedoria), designa o conjunto de mitos, lendas, danças, festas, artesanatos e saberes orais transmitidos através das gerações. Longe de ser um mero acervo de curiosidades do passado, o folclore constitui a espinha dorsal da herança imaterial de uma comunidade. É por meio dele que se expressam a visão de mundo, os valores éticos e o sentimento de pertencimento que unem os indivíduos em torno de uma história compartilhada.
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Em escala global, as manifestações folclóricas revelam como diferentes civilizações traduzem suas crenças, medos e celebrações da vida. No México, o Día de los Muertos funde tradições pré-hispânicas e católicas em um ritual festivo de memória e afeto pelos ancestrais. Na Índia, o Diwali ilumina o país para celebrar a vitória da luz sobre as trevas, enquanto as narrativas celtas na Irlanda e os rituais de máscaras na África Ocidental preservam a relação profunda entre o ser humano e a natureza. Cada uma dessas manifestações demonstra que a criação popular é uma linguagem universal de preservação da existência.
No Brasil, o folclore ganha uma riqueza singular, fruto do encontro e da síntese entre as matrizes indígenas, africanas e europeias. Essa miscigenação deu origem a celebrações vibrantes como o Bumba Meu Boi, o Maracatu, o Frevo, a Congada e o Bumba-meu-boi do Maranhão, declarados patrimônios culturais. Além das festas, o imaginário nacional é povoado por entidades como o Saci-Pererê, o Curupira, a Iara, a Cuca e o Boto Cor-de-Rosa — figuras mitológicas que, além do valor narrativo, historicamente carregam mensagens de proteção às matas, rios e fauna brasileiras.
A preservação do folclore na contemporaneidade é um ato fundamental de resistência cultural e fortalecimento da cidadania. Em um mundo cada vez mais conectado e propenso à padronização, valorizar o conhecimento tradicional nas escolas e nos espaços comunitários garante que as novas gerações reconheçam suas raízes. Defender o folclore não significa estagnar a cultura no passado, mas assegurar que o desenvolvimento futuro continue ancorado na diversidade, na criatividade e na alma popular de uma nação.
*Tenório Correia é historiador e seguidor do Dever de Classe
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