"Furies": justiça com as próprias mãos ou por que alguém decide assaltar um banco para roubar o próprio dinheiro

27/09/2026

O filme se passa em meio à catastrófica crise econômica e colapso financeiro do Líbano, quando bancos corrompidos congelaram ilegalmente as economias de vida de milhões de cidadãos comuns 

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O cinema internacional nos entrega ocasionalmente obras capazes de unir a urgência política à pura adrenalina do entretenimento. É exatamente isso que acontece em 'Furies' (Fúrias), o aclamado longa-metragem que marca a estreia na direção de longas de Rami Kodeih. Selecionado como o representante do Líbano na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional e fruto de uma potente coprodução entre Líbano e Brasil — com produção de Rodrigo Teixeira (da RT Features) e produção executiva de nomes de peso como George Clooney —, o filme é um soco no estômago que redefine as regras do gênero de assalto.

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O enredo: quando o maior crime é o sistema

A premissa de Furies é angustiante por ser terrivelmente real. O filme se passa em meio à catastrófica crise econômica e colapso financeiro do Líbano, quando bancos corrompidos congelaram ilegalmente as economias de vida de milhões de cidadãos comuns.

Nesse cenário de terra arrasada, conhecemos Dalia (Maria Nakouzi), diagnosticada com câncer uterino, e sua determinada irmã, Maro (Rym Mroue). Sem acesso ao próprio dinheiro suado para pagar o tratamento médico urgente que pode salvar a vida de Dalia, as irmãs tomam uma decisão radical: planejar um audacioso e frenético assalto noturno não para roubar a fortuna de terceiros, mas para resgatar o que é legitimamente deles.

Direção: o suor, a urgência e o tique-taque

A direção de Rami Kodeih é uma aula de como construir tensão sem respiro. Abandonando os clichês glamourosos de Hollywood (como em Ocean's Eleven), Kodeih opta por uma linguagem visual visceral, claustrofóbica e "suada". A câmera treme junto com a adrenalina dos personagens, transformando cada centímetro da parede que precisa ser quebrada em uma corrida contra a própria finitude humana. É um filme que transforma a desolação política em um thriller de alto impacto psicológico.

Personagens que sangram humanidade

O que eleva Furies acima de um filme de gênero comum é o seu núcleo de personagens multifacetados.

  • Dalia e Maro: A dinâmica entre as irmãs carrega o peso emocional da história — uma impulsionada pela urgência de sobreviver à doença, a outra movida por uma raiva cega e justificada contra a injustiça institucional.

  • O grupo de apoio ao assalto se completa com figuras marcantes como Sunshine (Issam Bou Khaled), que traz uma camada de melancolia, e Hamza (Hasan Akil), o imprevisível wild card que ameaça colocar tudo a perder a qualquer segundo.

O suspense final: você tem coragem de ver até onde vai a justiça?

À medida que a longa noite de invasão avança, o plano milimetricamente calculado começa a ruir sob o peso de imprevistos claustrofóbicos. Luzes piscam, vizinhos escutam barulhos suspeitos, o tempo para a cirurgia de Dalia esgota-se e a polícia parece fechar o cerco antes mesmo de o dinheiro ver a luz do dia.

Em seus minutos finais, Furies deixa o espectador na ponta da cadeira com um suspense sufocante: quando o cofre finalmente se abre, o que resta para quem já perdeu tudo — a liberdade ou a própria alma?

Se você procura um filme inteligente, atual, eletrizante e que te deixará sem fôlego até o último segundo, Furies é a escolha obrigatória da temporada. Prepare-se para torcer por criminosos improváveis em busca da mais pura justiça poética.

Estreia no Brasil? Ainda sem data.

*Luisa Medeiros é professora de História e segue o Dever de Classe. Foto é apenas ilustrativa, pois ela não quis veicular imagem própria.

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Inspirada no best-seller homônimo da escritora britânica Alice Feeney, a minissérie apresenta um suspense psicológico intenso e claustrofóbico, construído como um intrincado quebra-cabeça em que a premissa central permanece cristalina: toda história tem três lados — o seu, o meu e a verdade

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