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Docente diz que educadores têm de se esforçar, porém sem se matar pela profissão
Não vale a pena se matar pela profissão. Quando o sistema educacional ou a gestão escolar exigem que você entregue sua sanidade em troca de metas burocráticas ou pressões descabidas, a obediência cega deixa de ser dedicação e passa a ser uma violência contra si mesmo
Redação Dever de Classe, às 17:48
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Educação / Via e-mail, a professora paulista Sônia C Alencar, Especialista em Educação, enviou texto ao Dever de Classe onde faz um apelo aos seus colegas de profissão: "professores, se esforcem! Mas não se matem!"
Eis a íntegra:
Ser docente é, sem dúvida, uma das escolhas mais nobres e transformadoras que alguém pode fazer na vida. No entanto, é fundamental uma pausa urgente para encarar uma realidade incômoda: vocação não é martírio, e nenhum emprego, carreira ou ambiente escolar vale a nossa saúde física ou mental.
Rotina esgotante na escola e em casa
Ao longo dos anos, fomos sutilmente educados a aceitar uma rotina esgotante sob a justificativa do "amor à educação". Acostumamo-nos a levar pilhas de tarefas para casa, responder mensagens fora do expediente e suportar a sobrecarga diária. Mas a verdade é direta: não vale a pena se matar pela profissão. Quando o sistema educacional ou a gestão escolar exigem que você entregue sua sanidade em troca de metas burocráticas ou pressões descabidas, a obediência cega deixa de ser dedicação e passa a ser uma violência contra si mesma.
Saúde não tem preço
Não se submeta incondicionalmente às vontades arbitrárias de governos de ocasião ou de direções escolares insensíveis. Políticas públicas vão e voltam, chefes mudam e a engrenagem burocrática continuará rodando. No entanto, a sua saúde, uma vez comprometida, cobra um preço alto demais. É preciso lembrar que, para a estrutura administrativa, somos peças substituíveis em uma folha de pagamento; mas para nós mesmas e para quem nos ama, nossa integridade é insubstituível.
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Ao menor cansaço, use o que for possível para fugir da escola
Por isso, faço um apelo aos meus colegas de profissão: usem todos os mecanismos legais ao seu alcance para não adoecerem no exercício da função. Se o cansaço acumulado ultrapassou o limite do suportável, se o peso da rotina se transformou em ansiedade e exaustão, pare. Tirar licença médica não é um privilégio, muito menos um ato de fraqueza; é um direito constitucional e uma ferramenta legítima de preservação da vida. A síndrome de burnout e os distúrbios emocionais são problemas sérios que não podem ser remediados com silêncio ou culpa.
Cuidar de si mesmo é o ato de resistência mais necessário que uma educadora ou educador pode exercer hoje. A educação precisa da nossa competência e da nossa garra, mas só poderemos transformar a vida dos nossos alunos se estivermos inteiras e inteiros, fortes e com a saúde em dia. Portanto, professores, se esforcem! Mas não se matem! Preservem-se em primeiro lugar.
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