Artigo defende com bons argumentos a redução do calendário escolar de 200 para 180 dias letivos, a partir de uma proposição feita por cidadãos no portal e-Cidadania do Senado
É preciso ter fé na vida, na profissão, na luta, diz professora
Colegas, mantenhamos a cabeça erguida e a consciência desperta, pois cada passo dado no combate coletivo confirma que a nossa carreira vale a pena e que o nosso futuro se constrói é na luta cotidiana
Por *Sílvia S Conrado, às 14:29
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Educação / Sabemos o tamanho do cansaço que nos acompanha ao fechar a porta da sala de aula no fim de cada jornada, mas recuso-me a aceitar que o nosso ofício seja destinado ao esgotamento e à desistência. A rotina do magistério exige uma força gigante diante das adversidades diárias, contudo, é justamente no coração desse desgaste que precisamos resgatar a razão pela qual escolhemos educar. As coisas estão difíceis, sim, e fingir o contrário seria ingenuidade, mas a história da nossa categoria nos ensina que nenhum cenário adverso é permanente quando nos recusamos a cruzar os braços. Não podemos e não vamos entregar a nossa profissão ao desânimo.
Quando falo em não perder a esperança, não me refiro a uma fé religiosa ou a uma resignação passiva que aguarda por milagres. Falo de uma fé na vida, na nossa capacidade de transformação e, acima de tudo, no enfrentamento real e corajoso dos problemas concretos que sufocam o magistério. Acreditar na nossa carreira é compreender que a melhoria das nossas condições de trabalho não virá de promessas abstratas, mas da nossa capacidade de nos indignarmos, de ocuparmos os espaços de debate e de transformarmos a nossa indignação diária em uma postura de resistência e combate.
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Essa força se materializa sobretudo quando pautamos com firmeza a questão salarial, porque dignidade pedagógica não existe sem valorização financeira. As vitórias econômicas da nossa classe nunca foram frutos de benevolência governamental, mas sim da organização sindical sólida e consciente. É através da união nos sindicatos do setor, transformando vozes isoladas em uma pressão coletiva e estruturada, que os avanços materiais deixam de ser uma utopia e se tornam conquistas reais para a vida de cada professor e professora.
A prova de que a mobilização gera resultados concretos está na própria garantia de que o piso nacional do magistério agora não pode mais ser reajustado abaixo da inflação, assegurando ainda um ganho real acima desse índice. Essa vitória é um marco histórico que demonstra o poder da nossa voz unida: quando a categoria se organiza e luta, a estrutura cede e o direito se consolida. Colegas, mantenhamos a cabeça erguida e a consciência desperta, pois cada passo dado no combate coletivo confirma que a nossa carreira vale a pena e que o nosso futuro se constrói é na luta cotidiana.
*Sílvia Conrado é professora, especialista em educação e seguidora do Dever de Classe
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