O erro crasso que levará Bolsonaro à cadeia | Política

23/03/2025

Na trama golpista toda — plano para matar Lula, Alckimin e Alexandre de Moraes — certamente é o ponto-chave que não sairá barato ao capitão

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anchete de O Globo (18/02/2025) destacou que Paulo Gonet, procurador-geral da República — "diz que plano ["Punhal Verde Amarelo] para matar Lula, Alckmin e Moraes foi 'arquitetado e levado ao conhecimento' de Bolsonaro". No seguimento da matéria, exposição de importante trecho da denúncia do PGR:

"Os membros da organização criminosa estruturaram, no âmbito do Palácio do Planalto, plano de ataque às instituições, com vistas à derrocada do sistema de funcionamento dos Poderes e da ordem democrática, que recebeu o sinistro nome de "Punhal Verde Amarelo". O plano [que incluía triplo assassinato] foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República [Jair Bolsonaro], que a ele anuiu" [consentiu, ficou de acordo].

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Não é pouca coisa

Embora Jair Bolsonaro seja useiro e vezeiro em defender ditadura (não é de hoje que ele fala em matar presidente), ao que nos consta é a primeira vez que vem a público seu consentimento para que isso fosse posto no papel, isto é, planejado, sistematizado. Não é pouca coisa. ´Politicamente, é gravíssimo, é o ponto-chave que não sairá barato ao capitão. E ele sabe disso, daí o desespero por anistia que tanto passou a pregar.

Bolsonaro cometeu um erro crasso ao incluir na lista dos assassinatos nomes de pessoas com as quais ele nunca poderia ter se metido. Foto/reprodução.
Bolsonaro cometeu um erro crasso ao incluir na lista dos assassinatos nomes de pessoas com as quais ele nunca poderia ter se metido. Foto/reprodução.

Agora é diferente

Nos anos 1990, quando o capitão declarou numa entrevista de TV que se fosse eleito para o cargo maior do país daria um golpe no dia seguinte, e que "morreria uns trinta mil", inclusive o ex-presidente FHC (tucano seria abatido por fuzilamento), ninguém deu muita atenção. Era, afinal, só a verborragia de um desajustado que nunca passaria de deputado federal. Agora a coisa é muito diferente, em particular por um aspecto.

Situação seria outra

Jair bolsonaro et caterva não planejaram matar apenas Lula (PT). Se fosse, a situação do genocida seria outra, muito mais tranquila. Alckimin e sua família não teriam se abalado. Alexandre de Moraes, também. E a grande mídia, como nunca gostou mesmo do PT e do maior líder desse partido, não daria a devida relevância ao fato. O próprio Lula, em nome da famosa governabilidade, muito provavelmente poderia até perdoar o ex-presidente. O velhinho tem um bom coração.

Mas Alckmin e Alexandre de Moraes, sobretudo este, não vão dar mole para esse plano macabro de triplo assassinato. Ora, eles devem pensar: "Bolsonaro querer a morte do Lula, normal, pois ele odeia a esquerda. Quanto a nós, que sempre, do nosso jeito, estivemos com ele na direita, por que também nos assassinar? O cara é mesmo perigoso. Não pode ficar impune."

O fato é que nessa história toda — Bolsonaro ultrapassou todas as linhas do tolerável, sendo a mais fatal para ele incluir no plano de morte os nomes de duas figuras com as quais ele nunca poderia ter se metido. Por isso, a cadeia o espera. Os outros inúmeros crimes do capitão servirão para aumentar a pena.


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