Consulta, contratada pelo jornal O GLOBO e pela Globo — tem todas as feições de que foi maquiada para agradar quem bancou as entrevistas
Essa pesquisa da Quaest parece de encomenda para tentar enfraquecer Lula artificialmente
Consulta, contratada pelo jornal O GLOBO e pela Globo — tem todas as feições de que foi maquiada para agradar quem bancou as entrevistas
Redação Dever de Classe, às 17:48
Política & Economia / É curioso como certas pesquisas eleitorais parecem prever menos o futuro das urnas e mais o desejo íntimo de seus patrocinadores. Com todo respeito ao pessoal da Quaest, mas essa consulta que divulgou nesta quarta-feira (2), contratada pelo jornal O GLOBO e pela Globo — tem todas as feições de que foi maquiada para agradar quem bancou as entrevistas.
O enredo é quase didático: o financiador da consulta não quer reeleição de Lula (PT) e tenta catapultar um profissional da "autoajuda" — Augusto Cury (Avante) — como uma possível terceira via que poderia inclusive surpreender nessa rodada de primeiro turno e, ô lôco, tirar o petista de circulação. Ou, no mínimo, impedir que leve a parada logo na primeira rodada do processo.
A pesquisa Quaest, por outro lado, não tenta passar a ideia de que Lula estaria mais fraco apenas no primeiro turno, porque "não conquistou" votos dos independentes que Cury teria conquistado. Na segunda fase, no confronto com Flávio Bolsonaro (PL), o "declínio" do petista que mostram na consulta é ainda mais escandaloso e alarmante. O petista aparece rigorosamente empatado com o Zero Um, com apenas um pontinho à frente, 42X41.
O mais fascinante é a sincronia. Assim que os números foram divulgados, entrou em cena a poderosa rede de comunicação do patrocinador. Em uníssono, seus jornalistas mais influentes passaram a repetir a mesma cantilena: Lula estaria ruindo, perdendo fôlego, derretendo. Ao mesmo tempo, uma “nova alternativa” (Cury) é apresentada como fenômeno espontâneo, quase um movimento orgânico, embora pareça ter nascido diretamente da sala de reuniões do departamento comercial dos Marinhos.
De repente, manchetes, colunas e comentários “técnicos” convergem para a mesma narrativa: o velho favorito virou passado, o futuro tem outro rosto, curiosamente muito mais palatável aos interesses dos donos da pesquisa. "Pela primeira vez no ano, o medo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empatou numericamente com o temor da volta da família Bolsonaro ao poder", diz uma das manchete de O Globo (2) que pode ser lida aqui.
A mensagem subliminar é simples: se a pesquisa diz que Lula está caindo e a TV repete que ele está caindo, então é melhor o eleitor acreditar que ele está caindo. Não se trata apenas de medir a opinião pública, mas de moldá-la com a delicadeza de um marqueteiro em fim de prazo.
Em um cenário assim, a pesquisa eleitoral deixa de ser instrumento de informação e se transforma em peça de propaganda com verniz estatístico. O patrocinador posa de neutro, os comentaristas se apresentam como analistas isentos e o público é convidado a confundir desejo de poucos com vontade de muitos.
Mas Lula vencerá novamente essa gente que odeia o povo.
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