Quando o servidor público ou o concurseiro vota na direita liberal, tipo Flávio Bolsonaro e afins, está, na prática, assinando embaixo de políticas que enfraquecem sua própria carreira ou impedem seu desejo de ingressar em algum órgão estatal
O Amor S/A: quando até o coração entra na bolsa de valores
No capitalismo, o encontro perfeito começa com um algoritmo e termina com um recibo. Aplicativos prometem a alma gêmea em poucos cliques, desde que o usuário aceite os termos de uso e a política de privacidade dos próprios sentimentos

Por *Sara F Fonseca, às 22:19
Política & Economia / No admirável mundo da sociedade burguesa, nada escapa à lógica do lucro, nem mesmo o que um dia ousou chamar-se amor. O coração, outrora símbolo de mistério e entrega, hoje funciona como um cartão de crédito com limite emocional pré-aprovado. Declarações apaixonadas viram slogans, jantares românticos tornam-se experiências premium e até o "para sempre" vem parcelado em suaves prestações, com juros afetivos embutidos.
No capitalismo, o encontro perfeito começa com um algoritmo e termina com um recibo. Aplicativos prometem a alma gêmea em poucos cliques, desde que o usuário aceite os termos de uso e a política de privacidade dos próprios sentimentos. O "match" não é mais um acaso poético, mas um funil de vendas bem calibrado, onde cada curtida é um lead e cada conversa, uma oportunidade de conversão emocional.
A sociedade burguesa transformou o romantismo em vitrine. Presentes não são gestos, são provas de poder aquisitivo; viagens a dois viram pacotes instagramáveis; alianças simbolizam menos compromisso e mais status. O amor, para ser considerado verdadeiro, precisa ser fotografado, postado e aprovado por uma plateia invisível que reage com corações digitais, esses pequenos selos de qualidade afetiva.
Até o sofrimento amoroso encontra seu nicho de mercado. Há cursos para "reconquistar em 7 dias", coaches de relacionamento, terapias em grupo por assinatura mensal e playlists patrocinadas para chorar com eficiência. A dor, devidamente segmentada, converte-se em oportunidade de negócio, porque no capitalismo nenhum sentimento pode ficar ocioso, muito menos dar prejuízo.
No fim, o amor capitalista é um empreendimento de risco calculado: investe-se tempo, dinheiro e expectativa, esperando retorno em forma de validação, companhia e selfies bem iluminadas. Se der certo, celebra-se o case de sucesso; se der errado, arquiva-se o projeto e parte-se para a próxima prospecção afetiva. Afinal, na sociedade burguesa, até o coração precisa bater na mesma frequência do mercado.
*Sara F Fonseca é graduada em Matemática e Artes. A foto que aparece não é dela, pois preferiu não revelar sua imagem no site.
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