Quando o servidor público ou o concurseiro vota na direita liberal, tipo Flávio Bolsonaro e afins, está, na prática, assinando embaixo de políticas que enfraquecem sua própria carreira ou impedem seu desejo de ingressar em algum órgão estatal
Augusto Cury é a incrível novidade à moda Michel Temer
Candidato a presidente é uma performance digna de Oscar, quase nos fazendo esquecer que, por trás da maquiagem digital, bate um coração que pulsa no ritmo monótono do fisiologismo mais arcaico que este país já produziu

Por Carlos A Aragão
Política & Economia / Caraca! Google diz que Augusto Cury (Avante), ilustre desconhecido do grande público até dia desses, está entre os três políticos mais falados do Brasil, atrás apenas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). É a grande novidade da política no momento. Ops! Novidade, não! Para se candidatar a Presidente da República em 2026, ele foi receber "coisas novas" imaginem de quem? Michel Temer, isso mesmo, o velhaco golpista que cheira a enxofre e, em termos políticos, é tão novo quanto os políticos da velha Arena. Quem sabe aí o que significa Arena?
Cury, que se apresentou no debate da Band e sabatina da Globo com um terno sob medida, jargões desgastados e promessas vazias baseadas em autoajuda que cheiram a charlatanismo, jura que vai resetar o sistema. Acreditam nele? É uma performance digna de Oscar, quase nos fazendo esquecer que, por trás da maquiagem digital, bate um coração que pulsa no ritmo monótono do fisiologismo mais arcaico que este país já produziu. O que esperar de um político que se aconselha com Michel Temer? Ah! Também pediu orientações a Aécio Neves e Gilberto Kassab. Procurem, talvez encontrem lá nova rede social chamada Orkut.
Augusto Cury é assim: basta raspar um milímetro desse verniz brilhante retórico que ele tem para que a ferrugem estrutural apareça em todo o seu esplendor. A dita "nova era" que quer aparentar ter se parece assustadoramente com a "velha era" que nossos avós já criticavam na ditadura militar. É uma inovação tão revolucionária que sua plataforma política poderia ser datada de 1960 sem precisar alterar uma única vírgula. É o "sucesso" do passado reeditado com filtros do Facebook.
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E o pior não é só o conteúdo mofado, é a falta de originalidade na cópia. O sujeito é uma cópia carbono, em papel couché de alta gramatura — do próprio Michel Temer e outros velhos políticos conservadores do país. É o mesmo autoritarismo perfumado, a mesma visão tacanha de mundo embalada a vácuo para o consumo rápido nas redes sociais. Um "rebrand" malfeito que tenta vender cachaça barata em garrafa de gim importado, jurando que ninguém vai notar a diferença no paladar.
No final das contas, essa roupagem de novidade não engana ninguém que tenha um QI minimamente superior ao de uma ameba ou uma memória que dure mais que um "story" do Instagram. A estratégia é tosca e transparente, projetada exclusivamente para capturar os corações e mentes dos eternos trouxas, aquelas almas piedosas que acreditam em milagres e em políticos que surgem do nada para salvar a pátria sem pedir nada em troca. Portanto, aplaudam o espetáculo! Aplaudam a velha política desfilando com o sutiã de bojo da renovação, e que o último otário a ser enganado apague a luz do bom senso.
*Carlos Aragão é seguidor do Dever de Classe
Envie também seu artigo para: pontodevista@deverdeclasse.org
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