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4. Os dias úteis (2017), de Patrícia Portela (1974)
Os dias úteis é uma novela e um jogo ao mesmo tempo, característica das narrativas da autora que oferta aos leitores puzzles literários, cujas possibilidades de encaixes e resolução se apresentam ao longo da leitura. São sete contos curtos que tratam do cotidiano hiperbólico de uma personagem sem tempo para fazer tudo o que planeja e deseja. A protagonista, Alice Winston Smith, apresenta-se como alguém que entende fazer parte de um complexo conjunto que é muito maior, e que ao mesmo tempo é múltipla, o que faz perceber a sua impessoalidade no mundo contemporâneo.
5. Ecologia (2018), de Joana Bértholo (1982)
Ecologia é uma das mais significativas obras da Novíssima Ficção Portuguesa. O romance de Joana Bértholo se caracteriza como uma distopia onde se apresentam críticas à sociedade contemporânea vazia e mercantilista, sobretudo no que diz respeito à linguagem e tudo o que é dito e não dito. Ocupam-se os lugares das palavras e dos silêncios em diferentes aspectos como a escuta, a fala e a compreensão. Questionador, o romance se alicerça em vozes intercaladas, citações, informações variadas, inserções de códigos QR e outras formas inusitadas que alimentam a construção do texto.
Mas a Novíssima Ficção não se esgota nessas cinco obras
Essas cinco obras são apenas uma parte da vasta produção denominada como Novíssima Ficção Portuguesa, que se caracteriza pela diligente construção de uma literatura que compreenda a universalidade do mundo contemporâneo e Portugal nesse espaço imaginário e fértil que é a arte literária. Diferentes críticos e estudiosos, como Miguel Real (O romance português contemporâneo 1950-2010,2012), João Barrento (A chama e as cinzas,2016) e Jorge Vicente Valentim (A prateleira hipotética, 2024), buscam em seus estudos e apreciações elencar e formar um panorama teórico que possa identificar peculiaridades e vozes que compõem esse novo tempo da literatura portuguesa em diferentes dimensões.
A Novíssima Ficção Portuguesa, portanto, não se esgota nesses cinco escritores e suas obras. Valter Hugo Mãe, Ana Margarida de Carvalho, João Tordo, Dulce Maria Cardoso, Patrícia Reis, Gabriela Ruivo Trindade, Hugo Gonçalves, Possidônio Cachapa, Afonso Reis Cabral e tantos outros são nomes constantes.
< Lembrando que "novíssima" não se refere às idades d(as)os autor(as)es, mas às datas de publicação de suas obras.
Livro após livro, elas convergem para a principal característica dessa literatura, entre lirismos e questões filosóficas: a formação de uma identidade múltipla, universal e aberta ao tempo do agora. Tanto das mãos que escrevem essa nova literatura, quanto dos olhos dos leitores que buscam um novo Portugal.