O centenário de Fidel Castro marca um momento simbólico para revisitar a trajetória do líder da Revolução Cubana e o impacto de seu projeto político na história do século XX
Cem anos de Fidel Castro, comandante máximo da Revolução Cubana
O centenário de Fidel Castro marca um momento simbólico para revisitar a trajetória do líder da Revolução Cubana e o impacto de seu projeto político na história do século XX
Redação Dever de Classe, às 10:05
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Política / O centenário de Fidel Castro, celebrado neste 13 de agosto, é uma oportunidade decisiva para revisitar com atenção a trajetória do líder da Revolução Cubana e o impacto duradouro de seu projeto político na história do século XX, da Guerra Fria e da América Latina. Figura central do movimento que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista em 1959, Fidel consolidou-se como um dos personagens mais influentes do continente, símbolo da luta contra o imperialismo, da defesa de um modelo socialista em plena disputa entre Estados Unidos e União Soviética e do reposicionamento de Cuba no cenário geopolítico mundial.
Nascido em 1926, em Birán, na então província de Oriente, Fidel Alejandro Castro Ruz era filho de um proprietário de terras de origem espanhola e de uma camponesa cubana. A infância em uma região rural marcada por desigualdades sociais, pobreza e exclusão moldou de forma decisiva sua visão crítica sobre a concentração de riqueza e poder em uma Cuba pré-revolucionária. A formação em Direito na Universidade de Havana fortaleceu seu engajamento político, aproximando-o de movimentos estudantis, nacionalistas e de esquerda que enfrentavam o autoritarismo, a ditadura de Batista e a influência dos Estados Unidos na ilha, abrindo caminho para uma atuação transformadora no cenário político cubano e para sua projeção como liderança revolucionária internacional.
A Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e outros combatentes, teve como marco inicial o ataque ao Quartel Moncada, em 1953, e consolidou-se com a vitória dos rebeldes em 1959. O movimento revolucionário apresentava-se como a resposta concreta para pôr fim à corrupção, ao domínio estrangeiro, à dependência econômica e às profundas desigualdades sociais que marcavam o país. A partir da tomada do poder em Havana, o novo governo desencadeou uma série de reformas estruturais — como a reforma agrária, a nacionalização de empresas e a ampliação do acesso à saúde e à educação públicas — que transformaram de maneira profunda a sociedade cubana e projetaram Fidel Castro como um dos principais líderes políticos do século XX, referência incontornável para quem busca compreender projetos de mudança radical, revolução socialista, processos de independência nacional na América Latina e o papel de Cuba na geopolítica mundial.
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Entre as principais conquistas da Revolução Cubana destacam-se a ampla reforma agrária, que não apenas redistribuiu terras e limitou o poder dos grandes latifundiários, mas também abriu caminho para que o campo se tornasse mais produtivo, sustentável e socialmente justo. Ao romper com a concentração fundiária, milhares de camponeses passaram a ter acesso à terra, à produção agrícola e a melhores condições de vida no meio rural.
A nacionalização de empresas estratégicas, antes controladas majoritariamente por capitais estrangeiros, fortaleceu o controle sobre recursos naturais e setores essenciais da economia cubana, colocando a produção e os serviços a serviço do interesse coletivo e não de interesses privados. Essas medidas foram decisivas para afirmar a soberania econômica de Cuba, reduzir a dependência externa e lançar as bases de um modelo de desenvolvimento mais igualitário, independente e alinhado a um projeto de transformação social, mesmo em meio à forte tensão com os Estados Unidos e outros países capitalistas.
Os avanços nas áreas de educação e saúde consolidaram-se como algumas das marcas mais visíveis, concretas e inspiradoras do projeto revolucionário cubano. A campanha de alfabetização de 1961 mobilizou milhares de jovens e professores, levou livros e cadernos aos rincões mais remotos do país e praticamente erradicou o analfabetismo em poucos anos, demonstrando o poder transformador de uma política pública voltada à maioria trabalhadora e às populações historicamente excluídas.
Ao mesmo tempo, o sistema de saúde pública universal garantiu acesso gratuito e integral a serviços médicos, da atenção básica às especialidades, elevando a expectativa de vida, reduzindo a mortalidade infantil e provando que é possível priorizar a dignidade humana acima do lucro. Esses resultados projetaram Cuba internacionalmente como referência em políticas sociais, educação popular, medicina preventiva, sistema de saúde universal e cooperação médica internacional, mesmo diante de severas limitações econômicas e do embargo imposto pelos Estados Unidos.
Contudo, logo no início da Revolução Cubana, foi imposto o bloqueio econômico dos Estados Unidos, em vigor desde o começo da década de 1960. Essa medida de embargo restringe severamente o comércio exterior cubano, o acesso a créditos internacionais, a compra de tecnologias e medicamentos, além de desencorajar investimentos estrangeiros na ilha. As sanções econômicas dificultam a importação de alimentos, peças de reposição, equipamentos médicos e insumos industriais essenciais, encarecendo produtos básicos e limitando a oferta de bens e serviços.
Na vida cotidiana da população cubana, o bloqueio se manifesta em escassez de remédios e equipamentos hospitalares, filas para adquirir produtos de primeira necessidade, deterioração da infraestrutura e obstáculos ao desenvolvimento de setores estratégicos como saúde, educação, transporte e energia. Além disso, o embargo econômico restringe oportunidades de trabalho e negócios, reduz salários reais, limita o crescimento do turismo e agrava a emigração, aprofundando desigualdades sociais e comprometendo a qualidade de vida e as perspectivas de futuro de grande parte dos habitantes da ilha.
Mas apesar do bloqueio norte-americano, no centenário de Fidel Castro, o legado da Revolução Cubana continua a mobilizar paixões, debates políticos e reflexões profundas sobre socialismo, independência nacional, direitos sociais e soberania dos povos. Para a maioria do povo, representa um exemplo concreto de resistência, afirmação da soberania nacional e compromisso inabalável com a justiça social; para setores reacionários alinhados aos interesses dos EUA e do imperialismo, reduz-se a uma simples ditadura, apagando deliberadamente suas conquistas sociais e políticas. Entre conquistas e controvérsias, no entanto, a figura de Fidel permanece indissociável da história de Cuba, de seu processo revolucionário e de seu papel singular no cenário geopolítico mundial, inspirando novas gerações a defenderem independência, dignidade, solidariedade internacional, direitos humanos, integração latino-americana e transformação social como pilares de um futuro mais justo.
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