Apesar desse índice pequeno que tivemos em 2024 (de apenas 3,62%), temos que lembrar que no ano de 2021, por causa da pandemia, tivemos um índice de 0% de reajuste, quando a atividade econômica do país foi à lona. Já no ano seguinte (em 2022), em função dessa base zero do ano anterior, o pequeno crescimento que o país apresentou logo na saída da pandemia, já foi possível ver um impacto de 33% no valor de reajuste do piso. E tivemos anos de crescimento sustentado desse índice de reajuste do piso, quando o país também experimentava um período crescimento econômico mais sustentável, como em 2011 e 2012, quando tivemos índices de reajuste do piso nos valores de 15,84% e 22,84%, respectivamente.
Então é fundamental que entendamos o que está em jogo nesse momento. Passamos anos sendo atacados por muitos gestores. Nos anos em que os índices de reajuste do piso eram altos, eles reclamavam e chiavam. Diziam que não tinham condições de pagar aos professores e às professoras o reajuste da Lei do Piso. Iam para a Justiça fazer essa disputa, que chegou até ao STF. Quando o valor desse reajuste foi zero, como no ano da pandemia, em 2021, ninguém falou nada. O que se percebe é que esses gestores não valorizam a educação. Porque os que valorizam a educação na prática, sempre acham condições para honrar os votos daqueles que os elegeram e, mesmo na dificuldade fiscal de sua cidade ou Estado, conseguem pagar o piso.
Como já afirmamos em Nota Pública da CNTE, "embora a atualização do piso esteja um pouco abaixo do INPC (que foi de 3,71% em 2023), as atuais condições econômicas do país possibilitam aos sindicatos lutarem por reposições salariais acima da inflação, especialmente diante da recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) e da retomada das receitas tributárias em todos os estados e municípios". Por isso nossa luta nunca deve ser somente olhando para o nosso umbigo! A luta da classe trabalhadora é geral! É por um país justo e com crescimento econômico sustentável! Com a taxação das grandes fortunas para que as políticas públicas, inclusive as de educação, tenham recursos orçamentários sempre suficientes para honrar os salários de todos os educadores e as educadoras deste país, professores/as ou funcionários/as da educação. Pois somente com valorização profissional podemos fazer desse país uma nação que realmente valorize a educação.