Redundâncias do português: quando “subir para cima” desce o nível do texto

11/09/2026

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Organizado por *Landim Neto

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O que é redundância e por que ela incomoda tanto?

Redundância é o famoso “dizer a mesma coisa duas vezes”, usando palavras que repetem uma ideia já clara. No dia a dia, passa batido e até rende boas risadas. Mas, em textos mais cuidados, o excesso de redundâncias deixa tudo prolixo, cansativo e com cara de improviso. Em vez de reforçar a mensagem, elas acabam empobrecendo o texto e tirando a força das frases.

Um texto limpo, direto e bem construído transmite mais credibilidade, prende a atenção e valoriza o conteúdo. Cortar redundâncias é como fazer uma boa edição: nada de cortar ideias, apenas o excesso de palavras que não acrescentam informação. Faça o teste comentado ao final!


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Algumas das redundâncias campeãs do português

Algumas expressões já viraram clássicos da língua falada e escrita. São aquelas que aparecem em conversas, e-mails, relatórios e até em manchetes, sem que ninguém perceba o exagero.

  • Subir para cima – Subir já indica movimento para cima. "Subir a escada" resolve o recado sem esforço extra.
  • Descer para baixo – Mesma lógica. "Descer" já aponta para baixo. "Descer a rua" é mais enxuto e elegante.
  • Encarar de frente – Encarar, por si só, já traz a ideia de olhar diretamente. "Encarar o problema" é suficiente.
  • Goteira no teto – Goteira só acontece em cima. Se está no chão, é poça. "Goteira" já pressupõe teto.
  • Hábitos rotineiros – Todo hábito é, por definição, rotineiro. "Hábitos saudáveis", "hábitos noturnos" ou apenas "hábitos" soam melhor.
  • Planejar antecipadamente – Planejar já é agir antes. "Planejar o projeto" ou "antecipar o planejamento" bastam.
  • Surpresa inesperada – Se foi surpresa, não era esperada. "Uma surpresa" já entrega a ideia completa.
  • Detalhes minuciosos – Detalhe já é algo minucioso. "Detalhes do contrato" funciona sem enfeites.
  • Monopólio exclusivo – Monopólio, por definição, é exclusivo. A palavra extra só pesa a frase.
  • Verdade absoluta – Verdade já é algo tomado como certo. "Para muitos, é verdade" soa mais natural.
  • Elo de ligação — Elo e ligação são a mesma coisa. Diga apenas "elo" ou "ligação".

Por que a redundância empobrece o texto

Redundâncias não são "erros mortais", mas, quando se acumulam, deixam o texto inflado e pouco profissional. Em vez de transmitir clareza, passam a sensação de descuido, improviso e falta de domínio da linguagem. Em textos jornalísticos, acadêmicos, institucionais ou de conteúdo profissional, isso pesa na imagem de quem escreve.

Um texto enxuto não é um texto frio. É um texto em que cada palavra tem função: informar, emocionar, explicar ou convencer. Quando a frase fica cheia de repetições desnecessárias, o leitor precisa atravessar um labirinto de palavras para encontrar a ideia principal.

Como evitar cair nas armadilhas da repetição

Para fugir das redundâncias mais comuns, alguns cuidados simples ajudam a deixar a escrita mais leve e eficiente.

  • Reler com atenção: na revisão, vale caçar expressões que repetem a mesma ideia, como "elo de ligação", "conviver junto" ou "criação nova".
  • Preferir o simples ao rebuscado: frases diretas, com verbos fortes e substantivos claros, dispensam enfeites redundantes.
  • Desconfiar de duplas óbvias: sempre que duas palavras parecem dizer a mesma coisa, é sinal de que uma delas pode sair sem prejuízo.
  • Ler em voz alta: ao ouvir o próprio texto, fica mais fácil perceber exageros, repetições e "sobras" de linguagem.

Redundância com propósito: quando ela funciona

Nem toda repetição é vilã. Em textos literários, publicitários ou humorísticos, a redundância pode ser usada de propósito para criar ritmo, ênfase ou ironia. A diferença está na intenção: quando a repetição é consciente, vira recurso de estilo; quando é automática, vira vício de linguagem.

Usar a língua com criatividade não significa encher o texto de palavras, mas escolher as certas. Ao cortar redundâncias como "subir para cima" e "hábitos rotineiros", a mensagem ganha clareza, força e personalidade. A boa escrita não precisa gritar duas vezes a mesma coisa para ser ouvida.

Faça o teste e confira seus conhecimentos!

01. Qual das opções apresenta uma redundância?

(Vamos começar por algumas mais conhecidas) 

A. Subir para cima.

CERTO. "Subir" já indica direção para cima, então "para cima" é redundante.

B. Sair de casa.

Não há redundância

C. Ler o jornal.

Não há redundância.

02. Assinale a frase com pleonasmo vicioso (redundância):

A. Entrar para dentro.

CERTO. "Entrar" já pressupõe "para dentro".

B. Estudar matemática duas vezes.

Não há redundância.

C. Comer frutas.

Não há redundância.

*Landim Neto é graduado em Letras-Português e editor do Dever de Classe

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