Ao se referir a Lula (PT) como "nove dedos", esse sujeito mostrou o quão perigoso é ao povo brasileiro e a nosso país; não ia votar, mas agora vou para cravar na urna o 13.
Flávio Bolsonaro, a indigência moral no palanque
Ao se referir a Lula (PT) como "nove dedos", esse sujeito mostrou o quão perigoso é ao povo brasileiro e a nosso país; não ia votar, mas agora vou para cravar na urna o 13.
Há palavras que não apenas revelam a pequenez de quem as profere; há palavras que denunciam perversão. Quando Flávio Bolsonaro (PL), candidato a Presidente da República, utiliza o espaço cívico de um debate de TV para destilar desprezo contra pessoas com deficiência, ele não cometeu um deslize retórico, tampouco expressou uma divergência ideológica tolerável. Ele escancarou uma anomalia de caráter que beira o desumano. Ao se referir a Lula (PT) como "nove dedos", esse sujeito mostrou o quão perigoso é ao povo brasileiro e a nosso país. Confesso que, como fiz no primeiro turno, estava disposta a não ir votar. Mas agora vou, bem cedo, cravar voto no 13. O faço como mãe de pessoa com deficiência, e por todos os que vivenciam essa realidade no Brasil e em todo o mundo.
"Enxergar vulnerabilidade como defeito e cidadãos como estorvos não é postura política; é patologia moral." Foto/reprodução.
Escrevo essas ponderações não a partir da abstração dos gabinetes ou da frieza das análises partidárias, médicas ou acadêmicas, mas da trincheira diária da maternidade. Sou mãe de uma pessoa com deficiência. Conheço a anatomia das barreiras arquitetônicas, as dores da negligência estatal e o cansaço do preconceito velado. Mas o que testemunhamos no debate ultrapassa os limites da ignorância comum: trata-se de um espetáculo de crueldade calculada, uma monstruosidade dita em alto e bom som por quem deveria, no mínimo, guardar decoro perante a dignidade alheia. Com o perdão da palavra, esse escroto Flávio Bolsonaro não merece ser presidente do Brasil.
Enxergar vulnerabilidade como defeito e cidadãos como estorvos não é postura política; é patologia moral. Reduzir vidas inteiras ao escárnio público revela uma estrutura psíquica degradada, incapaz de qualquer resquício de empatia ou decência. Um indivíduo que nutre e propaga essa espécie de aversão viceral necessita com urgência de contenção e tratamento psicológico severo. A obsessão em humilhar os mais vulneráveis não se encerra no discurso: ela legitima o ódio e prenuncia a violência concreta. Quem verbaliza o aniquilamento moral da pessoa com deficiência está a um passo ínfimo de tolerar, incentivar ou praticar a agressão física contra ela. E vejam que Lula é um homem de mais de 80 anos. Nem isso fez Flávio Bolsonaro ser menos indigno.
Monstros não surgem prontos na vida pública; eles se alimentam do silêncio e da condescendência dos que tratam barbaridades como meras gafes. Não há conciliação possível com a repugnância. A sociedade não pode tratar como liderança alguém que representa perigo iminente à integridade de nossos filhos. E esse Flávio Bolsonaro demonstrou que é perigo ao país.
O lugar de quem carrega tamanha podridão interior não é a tribuna nem a máquina pública. É o isolamento político, a responsabilização jurídica exemplar e o consultório clínico onde possa, se é que ainda há salvação, confrontar a própria deformidade de espírito antes que sua covardia faça vítimas ainda mais graves.
Dia 25, voto Lula presidente!
*Alzira Martins é professora aposentada e segue o Dever de Classe.
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