“Chorus Brasilicus”, música em tupi antigo é recriada através de parceria entre USP e Yale

11/10/2026

A versão original da obra foi apresentada em agosto de 1619, como parte da peça teatral El Rey Don Manuel Conquistador de Oriente, no Colégio de Santo Antão, em Lisboa


Uma parceria entre a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e a Universidade de Yale, nos EUA, resultou em um projeto inédito de recriação da música Chorus Brasilicus, uma composição em tupi antigo cuja melodia original não foi preservada. A iniciativa, voltada ao estudo da música colonial brasileira e das línguas indígenas, buscou recuperar aspectos sonoros e históricos dessa obra perdida.

A partir de um projeto multidisciplinar que integrou as áreas de filologia, história e musicologia, pesquisadores desenvolveram três novas versões da composição: "Solo & Chorus", "Contrafactum" e "Basso Sostenato". As peças foram apresentadas ao público durante o evento "Ressonâncias Coloniais", realizado em maio de 2026, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, destacando o diálogo entre patrimônio musical, pesquisa acadêmica e memória cultural.

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As três versões da música foram compostas pelos musicólogos portugueses Irene Brigitte e Hugo Sanches neste ano de 2026. Já o evento foi organizado pela professora Íris Kantor, do Departamento de História da FFLCH, e por Lisa Voigt, professora de literatura e cultura da América Latina na Universidade de Yale, nos EUA. O projeto também contou com o apoio da Ford-LASA Special Project Grant, da Latin America Studies Association, do Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Yale e da Cátedra Jaime Cortesão.

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A versão original de Chorus Brasilicus foi apresentada em agosto de 1619, como parte da peça teatral El Rey Don Manuel Conquistador de Oriente, no Colégio de Santo Antão, em Lisboa. A descrição da peça e da letra da música, entretanto, foram encontradas no livro "La Relación de la real tragicomedia", do sacerdote e escritor português João Sardinha Mimoso, em 1620, mas sem a partitura. "Encontrei a canção em Tupi ao ler La Relación, na Biblioteca Nacional de Portugal pela primeira vez em 2006, mas não fui a primeira pessoa a encontrar", como explica Lisa Voigt. Segundo a pesquisadora, o jornalista, crítico e historiador da música popular brasileira José Ramos Tinhorão menciona brevemente o Chorus Brasilicus no seu livro de 1988, "Os negros em Portugal: Uma presença silenciosa". 

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A partir da descoberta dessa composição, Lisa Voigt reuniu pesquisadores de diversas áreas e partes do mundo a fim de recriar a melodia de Chorus Brasilicus.

Veja: 

Fonte da matéria: Jornal da USP

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