Golpe 1964 | Após introduzirem fio elétrico desencapado, uretra ardeu em chamas! Leia e compartilhe...

19/05/2018 16:58

Frei Fernando de Brito, padre barbaramente torturado nos porões da ditadura militar no Brasil / Foto: You Tube
Frei Fernando de Brito, padre barbaramente torturado nos porões da ditadura militar no Brasil / Foto: You Tube

... berrava [o sanguinário] Fleury, enquanto seus auxiliares introduziam, lentamente, o fio na uretra de Fernando. A corrente elétrica, ligada, explodiu em dor os limites de sua resistência

DA REDAÇÃO | Os trechos abaixo foram extraídos do livro Batismo de Sangue, do escritor Frei Betto, publicado em 1982 pela editora Civilização Brasileira. Nas passagens se vê terrível e escabrosa sessão de martírios sofridos por Frei Fernando de Brito, um dos muitos religiosos torturados nos porões de ditadura militar no Brasil (1964-1985). Tais cenas ocorreram durante interrogatório comandado pelo sanguinário delegado de São Paulo Sérgio Paranhos Fleury, chefe do temível Esquadrão da Morte.

Frei Fernando — na sessão de tortura narrada de forma comovente por Frei Betto — chegou a ter um fio elétrico desencapado introduzido em sua uretra. A intensidade dos choques lhe trouxe dores terríveis e difíceis de se imaginar, algo que só mentes doentias como a de Jair Bolsonaro podem aplaudir e querer reeditar no Brasil dos tempos atuais.


Leia trechos:


1. Pau-de-arara — como um frango no espeto

— Tire a roupa — ordenou o delegado Fleury.

[Frei] Fernando permaneceu imóvel, petrificado pelo clima de terror, indiferente à ordem recebida. A mão pesada do chefe do Esquadrão da Morte caiu forte sobre o rosto do prisioneiro. (Continua, após o anúncio).

— Tire a roupa, seu filho da puta!

O religioso ficou de cueca, os acólitos da morte [torturadores] empurraram-no ao chão, enfiaram uma trave de madeira sob seus joelhos, curvaram-no, passaram suas mãos por baixo da trave, amarraram-nas com cordas à frente das pernas e, entre duas mesas, dependuraram seu corpo. Como um frango no espeto. No pau-de-arara, a cabeça e os ombros de Fernando pendiam para baixo, posição dilacerante nas juntas e na coluna.

2. Choques elétricos com fio desencapado introduzido até na uretra

— Como é que Marighella [líder revolucionário] entra em contato com você? — indagou Fleury.

Fernando não respondeu. Fios desencapados foram ligados em seu corpo e a corrente elétrica inoculada nos músculos, qual serpente mortífera desenrolando-se nas entranhas. As pontas dos fios prendiam-se às extremidades das mãos e dos pés. O corpo do prisioneiro estremecia em espasmos e dores. Multiplicavam-se as perguntas e, ante as negativas, as sentinelas do arbítrio aumentavam o ritmo da tortura. Despejavam água no corpo da vítima, a fim de torná-lo mais sensível à intensidade das descargas elétricas. (Continua, após o anúncio).

A sessão de choques prolongou-se pelo resto da tarde. Durante horas o prisioneiro resistiu aspirando à morte. Ao cair da noite, Fernando passou a ser espancado. Erguido no pau-de-arara, recebia pancadas na nuca e tapas nos ouvidos. Os dentes inferiores descarrilharam: o maxilar fora deslocado. Com socos na cabeça e no queixo, os torturadores o puseram no lugar.

O fio elétrico na uretra

— Como Marighella entra em contato com vocês? — berrava Fleury, enquanto seus auxiliares introduziam, lentamente, o fio na uretra de Fernando. A corrente elétrica, ligada, explodiu em dor os limites de sua resistência macerada pelas longas e atrozes sevícias daquele eterno domingo.

A uretra parecia arder em chamas, as pancadas aturdiam todas as partes do corpo, enquanto o delegado insistia:

— Como ele [Marighella] se identifica no telefone?

— Não me lembro, disse o preso enroscado no pau-de-arara.

— Aumentem a descarga até ele se lembrar! — gritou o delegado para os seus acólitos [torturadores auxiliares].

Delegado Sérgio Paranhos Fleury, torturador e chefe do Esquadrão da Morte no período da ditadura militar no Brasil / Foto: Comissão da Verdade
Delegado Sérgio Paranhos Fleury, torturador e chefe do Esquadrão da Morte no período da ditadura militar no Brasil / Foto: Comissão da Verdade

LEIA TAMBÉM: