Educação a distância traz economia aos cofres públicos e prejuízos aos professores, alerta especialista! Leia e compartilhe...

02/11/2018 08:53

Presidente eleito Jair Bolsonaro propôs implantar Educação a Distância em larga escala no País / Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil
Presidente eleito Jair Bolsonaro propôs implantar Educação a Distância em larga escala no País / Foto: Tania Rêgo/Agência Brasil

Monitores de TV trazem bem menos custos que contratar profissionais do magistério e reajustar seus salários todo ano

Economia | O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) propôs em sua campanha adotar em todo o País o projeto de Educação a Distância, que iria do Ensino Fundamental ao Superior, passando pelo Ensino Médio. Na prática, é a troca de professores e demais profissionais do magistério por monitores de TV. Em matéria no O Globo, em 7 de agosto deste ano, o capitão justificou: "Conversei muito sobre ensino a distância. (...) Você pode fazer ensino a distância, você ajuda a baratear." (Vote na enquete ao final da matéria).

Economia

Segundo o economista piauiense Flávio Mendes, a proposta de Bolsonaro de fato pode baratear os custos com a educação pública do País e trazer forte economia aos cofres públicos. Mendes diz que segundo o Censo Escolar do MEC divulgado em janeiro de 2018, cerca de 80% dos colégios da Educação Básica existentes no Brasil são públicos, aproximadamente 144.500. Em relação aos professores, o mesmo Censo diz ainda que na Educação Básica há 2,2 milhões desses profissionais, a maioria também em estabelecimentos públicos nos estados e municípios. "Imagine trocar esse exército de educadores por um monitor de TV? A economia seria fantástica", diz o economista. "E isto sem falar no nível superior, que também teria a mesma modalidade de ensino à distância", completa. Após o anúncio, veja o impacto disso nos salários dos professores.

Professores perdem

Flávio Mendes pondera, no entanto, que a proposta de Bolsonaro, embora de fato possa trazer economia aos cofres públicos, na prática pode piorar ainda mais a vida financeira dos educadores, que já enfrentam ao longo dos tempos políticas de baixos salários. Diz o especialista: "Na medida em que você substitui docentes por monitores de TV, você economiza de duas formas. Primeiro, porque não será preciso mais contratar novos professores. Segundo, porque prefeitos e governadores poderão congelar salários dos atuais mestres porque simplesmente estes perderão a capacidade de luta em virtude de não mais estarem em sala de aula. Como poderão, por exemplo, fazer uma greve em defesa de reajustes salariais? É preciso, assim, cautela com esse tipo de economia que Jair Bolsonaro pretende fazer", conclui.

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