Professores públicos explicam por que no geral não matriculam os próprios filhos nas escolas municipais e estaduais

11/01/2017 01:44

Imagem: depositphotos / Reprodução proibida
Imagem: depositphotos / Reprodução proibida

Da Redação | No geral, professores públicos não costumam matricular os próprios filhos nas escolas de estados e municípios. Com crise ou não, eles sempre dão um jeito de buscar a rede privada.

Para muitos, isto é uma contradição, pois se os próprios educadores não confiam na qualidade das escolas em que eles mesmos trabalham, quem poderia confiar? Estudo da pedagoga paranaense Ana Virgínia B Monte, contudo, traz algumas explicações. Ana conclui agora em 2017 curso de especialista em educação.

Ela diz que entrevistou 50 docentes sobre o tema e as respostas foram muito esclarecedoras, embora já esperadas. "Eles não matriculam os filhos nas escolas públicas justamente porque conhecem o quão precária é situação da ampla maioria delas em todo o país", disse.

Uma das entrevistadas declarou, por exemplo, que teria prazer em matricular a filha numa escola estadual ou municipal. Mas não o faz porque sabe que a garota seria prejudicada. "Na minha própria escola, em 2015, praticamente não teve professor de Português e Biologia durante quase o ano todo. Não dá para confiar", declarou a entrevistada.

Além da falta de professores, os docentes alegam também que a maioria das escolas públicas são desestruradas, pois não há climatização adequada, bibliotecas, laboratórios e espaços esportivos condizentes.. E em muitas falta até itens básicos de higiene. "A escola pública desanima os alunos", explica.

Ana Virgínia diz que esse quadro só seria revestido se o governo injetasse mais recursos na educação. Ela opina que é preciso destinar pelo menos 10% do PIB nacional para o setor, aparelhar as escolas e pagar também melhor os profissionais do magistério. Sem isso, pondera, ninguém acredita. "Quem se matricula é por mera falta de condições de ir para as particulares", conclui.

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