Penas rigorosas a quem agride animais

26/12/2016

Por Landim Neto, professor | As imagens que ilustram esta matéria, se ampliadas, expõem animais que, ao menos na aparência, parecem ser bem cuidados. Pelo viçoso, olhos brilhantes, semblante salutar, sem quaisquer sinais visíveis de lesões.

No entanto, essa não é a realidade de centenas de milhares de bichinhos de estimação ou outros animais Brasil afora. Lamentavelmente, não são poucas as pessoas (pessoas?) que agridem cães, gatos, aves e outros bichos. Alguns chegam inclusive ao abuso de gravar cenas de terror relativas a isso e postar nas redes sociais, como por exemplo o escandaloso e recente caso do monstro-maníaco que fuzilou torpe e covardemente um cavalo e expôs tal barbárie pelo facebook. Gente dessa natureza precisa ser punida com rigor, sobretudo com prisão duradoura e multas pesadas, em dinheiro e/ou alternativas.

É bem verdade que o Brasil continua a ser um país onde muitos "vivem" em situação de pobreza extrema, 16,27 milhões de pessoas, segundo dados recentes do IBGE e do próprio governo. Isto sem falar nos outros tantos milhões que ganham apenas o salário mínimo nacional, que na avaliação científica do Dieese mal dá para uma família de dois adultos e duas crianças sobreviverem por uma semana. Isto, entretanto, não pode servir de pretexto para que se banalize os maus tratos aos animais e não se puna rigorosamente quem agride bichos, sejam de estimação ou não, tenham donos ou vivam soltos pelas ruas.

Segundo a Consultoria Gouvêa de Souza, o mercado de animais movimentou no Brasil, apenas em 2012, R$ 12,7 bilhões, crescimento de 8,5% se comparado a 2011. E até 2020, ainda segundo estudo dessa mesma Consultoria, esse valor pode chegar a R$ 25 bilhões.

Ora, com pequeno percentual dessa fortuna, angariado via criação de imposto específico pelo governo, seria possível, por exemplo, promover uma ampla campanha pública de castração de cães e gatos, o que reduziria drasticamente o número desses animais que vivem expostos a todo tipo de maus tratos pelas ruas. E daria ainda para construir abrigos públicos para os que restassem em situação de abandono, ou financiar abrigos já existentes por iniciativas particulares, como o mantido pela Apipa no Piauí. E seria possível também construir hospitais veterinários simplificados, cuja principal função fosse atender animais domésticos. Tudo isso pode até parecer absurdo. Mas somente a quem crê, por ignorância ou insensibilidade, que animais (apenas por serem animais) devem ser relegados a segundo plano.

É preciso reiterar e não perder de vista, por fim, que maus tratos a animais devem ser punidos com rigor. Nenhum país pode querer, ainda que a longo prazo, pensar em ser civilizado se não observar com atenção, desde sempre, a necessidade de respeitar e cuidar bem dos seus bichinhos, sejam domésticos ou não. Denuncie publicamente quem maltrata animais.

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