No capitalismo, até o amor é um negócio

17/01/2017 08:25

Foto: pixabay
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Por Clarice Oliveira | O capitalismo é foda. Tudo nele é um negócio. É um sistema tão comercial, que nas prateleiras de lojas, armazéns e supermercados artigos úteis estão amontoados ao lado de uma infinidade de produtos sem serventia alguma, fabricados apenas para dar lucros a seus proprietários e fabricantes. E não interessa se a natureza é destruída para isso ou não. Contanto que os negócios cresçam para todos os lados e enriquem cada vez mais uma meia dúzia de empreendedores, leia-se malucos ou assassinos, está tudo bem.

O capitalismo é tão foda, que nos EUA e em todos os demais países capitalistas se imprime largamente nas indústrias gráficas "O Capital", do Marx. Ou seja, os capitalistas ganham muito dinheiro vendendo um livro que ensina que o capitalismo é uma merda para a humanidade. No capitalismo guerras são negócios, fome é negócio, crianças e idosos são negócios, miséria é negócio, "beleza" e "feiúra" são negócios, violência física e moral são negócios, o corpo é negócio, pessoas são negócios... Tudo vende. No capitalismo, até o amor é um negócio também.

"Querido, vamos viver juntos para sempre, na saúde ou na alegria, na riqueza ou na pobreza, y love you". Rá, rá, rá... Quanta hipocrisia. A mocinha ingênua não sabe que não fez escolha alguma. Seu love e casamento foram planejados para atender a um modelo tal que dê lucro aos capitalistas, inclusive na pobreza. Ela "escolheu" seu amado pela conta bancária dele ou pelos dotes físicos ou intelectuais que tiver. E tudo dentro dos padrões que os capitalistas impõem e ela não sabe. O mesmo vale para ele: O pai dela é rico? Sim. Ela tem bunda, peitos e coxas gostosos? Sim. Eu caso. O amor-negócio só acaba quando os padrões de encantos engendrados pelos capitalistas se esvaem.

Não acredito que o capitalismo um dia seja superado totalmente, sou machadiana. Mas como os capitalistas são tão doidos por negócios e dinheiro, é bem possível que um dia criem um meio de ressuscitar o Lênin para que ele possa dar cursos de como fazer uma revolução socialista em todo o planeta. Todos os lucros dos cursos, evidentemente, iriam para os capitalistas, para que eles aprimorassem a ideia de que no capitalismo, além do amor, até o socialismo pode ser também um grande negócio. 

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