Além de reduzir salários de servidores, governos devem também atacar a aposentadoria do funcionalismo, sugere matéria da Folha

14/01/2017 13:33

Rio de Janeiro - Servidores públicos estaduais protestam em frente à Assembléia Legislativa fluminense, no centro da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - Servidores públicos estaduais protestam em frente à Assembléia Legislativa fluminense, no centro da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Da Redação | Em matéria de hoje (14), a Folha de S.Paulo especula sobre corte de salários de servidores e ataques à previdência do funcionalismo. A matéria sugere que, além de reduzir salários, gestores devem também piorar a aposentadoria de seus funcionários. O título do texto é: "Corte de salário de servidores pode ser insuficiente para ajustar Estados". E é assinado por Mariana Carneiro, de São Paulo.

Logo no primeiro parágrafo, matéria diz que "O corte de salários dos servidores, uma das propostas do governo federal [Michel Temer] para reequilibrar as contas dos Estados em calamidade financeira, tem efeito limitado sobre o principal problema destes governadores: o aumento acelerado dos gastos com pessoal".

Assim, para combater as limitações do corte de salários e o suposto 'aumento acelerado dos gastos com pessoal', o texto prossegue e, através de um "especialista", diz que é preciso atacar a previdência dos servidores.

Veja: "'Em termos estruturais, a crise estadual decorre muito mais do descontrole da Previdência que do aumento da folha dos servidores ativos', afirma José Roberto Afonso, economista da FGV e do IDP"

"Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, afirmam especialistas, são os três Estados do país em pior situação financeira e candidatos a aderir ao socorro federal em troca de atacar o funcionalismo" 

Outro "especialista" escalado pelo jornalão dispara contra as aposentadorias do funcionalismo: "Segundo Fábio Klein, da consultoria Tendências, diferentemente dos salários do pessoal da ativa, os gastos dos Estados com aposentadorias são mais inflexíveis, pois têm regras próprias de correção e são inegociáveis. 'É na Previdência onde está a situação mais crítica desses Estados'"


Admite que não é fácil

Matéria, contudo, reconhece que não será fácil diminuir salários dos servidores e apela a outro especialista para apontar saídas, Leonardo Rolim, consultor legislativo da Câmara e ex-secretário de Previdência: 

"A primeira [saída]  é a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o tema. Uma liminar, parada há anos no tribunal, impede o corte de salários. O segundo é a falta de regras", diz o consultor.

Enfim, o que a Folha e seus especialistas pregam como 'saída' para a superação da crise dos Estados é a criação de regras para massacrar o funcionalismo. É o velho jornalão sempre a serviço do golpe.

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